O presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, Bruno Gonçalves Pereira, lançou um conjunto de desafios ao futuro da região. O autarca defende maior coesão e uma visão estratégica para o Alentejo, num artigo de opinião, marcado por perguntas diretas e reflexões sobre o desenvolvimento do território, editado na Rádio Pax.
Partindo do contexto da Ovibeja, o autarca sublinha que este é um espaço privilegiado para pensar a região, mas admite que muitas vezes surgem mais dúvidas do que respostas. “Serão as quatro sub-regiões capazes de falar a uma só voz?”, questiona, apontando a dificuldade em conciliar diferentes realidades dentro do Alentejo.
Entre as principais preocupações estão as acessibilidades e infraestruturas, com perguntas sobre o futuro da ferrovia, a concretização da A26 e o papel do Aeroporto de Beja. “Seremos capazes de reabilitar a ferrovia de passageiros, do oceano a Espanha?”, interroga, defendendo ligações que sirvam efetivamente o território.
Bruno Gonçalves Pereira levanta também questões sobre o investimento e a fixação de valor na região, alertando para projetos que podem não beneficiar as comunidades locais. “Conseguiremos contornar os que apenas querem fazer de partes do nosso território plantações de fornecimento de energia”, questiona, numa referência à necessidade de equilíbrio entre desenvolvimento e sustentabilidade.
A dimensão cultural e educativa não fica de fora, com o autarca a desafiar a expansão da academia e a valorização da cultura alentejana além-fronteiras, perguntando se será possível aumentar a exportação cultural e atrair grandes nomes ao território.
No final, deixa uma ideia central: “Se […] ‘Todo o Alentejo deste mundo’ se unir, esquecendo distâncias […] o Alentejo será sempre um caso sério a considerar”, apelando à união como fator decisivo para o futuro da região.