Mértola foi o terceiro concelho de Portugal continental e o primeiro do Alentejo onde foi detetado o mosquito-tigre. Aconteceu em 2022. Quatro anos depois, esta espécie invasora, capaz de transmitir doenças como dengue, zika e chikungunya, continua a ser identificada em novos pontos do país e chegou agora ao concelho de Castelo Branco.
O Aedes albopictus, conhecido como mosquito-tigre devido ao padrão de riscas brancas e pretas que apresenta no corpo e nas patas, está novamente sob a atenção das autoridades de saúde pública.
A mais recente deteção aconteceu em Castelo Branco, através da Rede de Vigilância de Vetores, a REVIVE, programa desenvolvido pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge e pela Direção-Geral da Saúde, em colaboração com as estruturas de saúde pública.
A presença do mosquito está a ser investigada e a vigilância foi reforçada para acompanhar a evolução da espécie naquela região.
Mas o aparecimento do mosquito-tigre em território continental não começou agora.
Foi identificado pela primeira vez em 2017, em Penafiel. Um ano depois apareceu em Loulé, no Algarve, e, em 2022, Mértola tornou-se o terceiro concelho do continente a confirmar a presença da espécie e o primeiro de todo o Alentejo.
Desde então, o mosquito continuou a ser detetado noutros pontos do território. Em setembro do ano passado chegou também a Covilhã e surge agora a confirmação em Castelo Branco.
A expansão merece acompanhamento, sobretudo porque estamos perante uma espécie com capacidade para transmitir vírus responsáveis por doenças como dengue, zika e chikungunya.
Importa, contudo, fazer uma distinção fundamental: a presença do mosquito-tigre não significa que estas doenças estejam a ser transmitidas localmente.
O problema está no potencial do mosquito para funcionar como vetor caso esteja infetado.
E travar a sua reprodução pode começar dentro de casa, nos quintais e nos espaços exteriores.
O mosquito-tigre não precisa de grandes charcos. Pequenas acumulações de água parada podem ser suficientes para criar condições favoráveis à deposição dos ovos.
Pratos de vasos, baldes, pneus abandonados, latas, recipientes esquecidos no exterior, caleiras ou depósitos destapados podem transformar-se em locais de reprodução.
Por isso, as autoridades recomendam eliminar regularmente águas estagnadas, manter reservatórios devidamente tapados, limpar caleiras e assegurar a manutenção das piscinas.
Mértola deu o primeiro alerta no Alentejo em 2022. Quatro anos depois, o mapa do mosquito-tigre continua a alargar-se em Portugal.
Uma espécie pequena, facilmente reconhecida pelas suas riscas brancas e pretas, mas que obriga a uma grande vigilância devido à capacidade de transmitir algumas doenças que preocupam as autoridades de saúde pública.