O diretor da Rádio Pax, António Lúcio, vai apresentar esta quarta-feira, às 17 horas, na Feira do Livro de Lisboa, o seu primeiro romance. O Fio da Memória é o título da obra, uma narrativa que mergulha nas profundezas da memória coletiva e individual de um Portugal que muitos ainda guardam com cicatrizes.
O romance acompanha um narrador que regressa, décadas depois, à aldeia alentejana onde passou a infância. Não há urgência no regresso — apenas um chamamento que não se explica e não se recusa. O Alentejo que o espera é o de sempre: a imensidão, os montes gastos pelo tempo, as casas de um branco já cansado. E as memórias que nunca estiveram esquecidas, apenas caladas, à espera.
No centro da história está uma mãe professora, mulher de resistência silenciosa numa escola perdida entre os montes, rodeada pela miséria e vigiada pelo Estado Novo. Em torno dela, uma família destroçada pela violência e pela impunidade. Um crime na Feira dos Santos, em Alvito. Um lavrador tombado. Um pai impotente. Uma menina violada por um homem com poder. E depois, uma azinheira, uma corda e um silêncio pesado demais para ser suportado.
A narrativa atravessa também o 25 de Abril e a reforma agrária: a promessa que chegou como libertação e partiu, nalguns casos, como maldição. António Lúcio não poupa nem os excessos do sonho nem a brutalidade dos que o esmagaram. Amores proibidos, tradições perdidas, vozes que resistiram e vozes que se calaram para sempre compõem um fresco humano e político de rara densidade.
O Fio da Memória é um romance sobre o que ficou por dizer e sobre tudo o que a terra não esquece.
A sessão de apresentação terá lugar esta quarta-feira, às 17 horas, no recinto da Feira do Livro de Lisboa, no Parque Eduardo VII.