Os municípios de Odemira e Mértola querem provar que o futuro também se constrói no interior. As duas autarquias assinaram um memorando de entendimento que dá início a uma estratégia conjunta para afirmar os territórios rurais como espaços de inovação, conhecimento, sustentabilidade e criação de riqueza.
O acordo, celebrado na quinta-feira pelos presidentes das câmaras de Odemira, Hélder Guerreiro, e de Mértola, Mário Tomé, assenta no conceito de “Novas Centralidades” e pretende reforçar a capacidade dos dois concelhos para atrair investimento, empresas e talento, ao mesmo tempo que responde aos desafios demográficos, ambientais, económicos e sociais.
Hélder Guerreiro defende que está na altura de acabar com a ideia de que o interior é um território sem capacidade para inovar. O autarca acusa as políticas públicas nacionais de ignorarem muitas vezes o potencial dos concelhos rurais e garante que Odemira e Mértola querem afirmar-se como territórios onde se produz conhecimento, inovação e valor para o país.
Entre as prioridades da parceria estão a adaptação às alterações climáticas, a regeneração da paisagem, a valorização da bioeconomia, a digitalização e o desenvolvimento de projetos científicos e tecnológicos.
O memorando prevê ainda a criação de laboratórios vivos, candidaturas conjuntas a programas de financiamento nacionais e europeus e a constituição de dois territórios-piloto para aplicar, em Portugal, a futura Lei do Restauro da Natureza.
Segundo Hélder Guerreiro, o objetivo é trabalhar com o Governo para que, já em setembro, Portugal possa apresentar à Comissão Europeia Odemira e Mértola como exemplos nacionais na implementação destas medidas ambientais.
A cooperação estende-se também às áreas da saúde, educação, habitação e mobilidade, através da criação de redes de serviços entre os dois municípios.
Com validade de quatro anos, o acordo prevê igualmente a criação de uma rede científica entre a Estação Biológica de Mértola e a ARCO — Academia de Arte e Ciência de Odemira e poderá, no futuro, ser alargado a outros concelhos, dando origem à chamada Rede das Novas Centralidades.