A Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo surge como uma das poucas exceções positivas num cenário de crescente pressão sobre os cuidados de saúde primários no Alentejo. Enquanto a região terminou o primeiro semestre de 2026 com o número mais elevado de sempre de utentes sem médico de família, o Baixo Alentejo conseguiu reduzir significativamente esse problema.
De acordo com os dados mais recentes do Serviço Nacional de Saúde, no final de junho existiam 18.861 utentes sem médico de família na área da ULS do Baixo Alentejo, o equivalente a 15,47% dos inscritos. Apesar de o número continuar elevado, representa uma redução de 2.474 pessoas, menos 11,6% do que no mesmo período do ano passado.
Este desempenho contrasta com a evolução registada no conjunto do Alentejo, onde o número de utentes sem médico de família aumentou para 94.908, o valor mais elevado dos últimos anos. O agravamento foi impulsionado sobretudo pelo Litoral Alentejano e pelo Alentejo Central, enquanto o Baixo Alentejo e o Alto Alentejo conseguiram inverter a tendência.
Os indicadores revelam ainda que os utentes sem médico de família recorrem menos às consultas. No Baixo Alentejo, cerca de 72,2% dos utentes com médico atribuído tiveram consulta nos últimos 12 meses, enquanto entre aqueles que aguardam a atribuição de um clínico essa percentagem desce para 60,9%.
Apesar da melhoria registada, continuam perto de 19 mil pessoas sem acompanhamento médico regular na área da ULS do Baixo Alentejo, um desafio que mantém a pressão sobre os centros de saúde e reforça a necessidade de atrair e fixar mais profissionais na região.
Num momento em que o acesso aos cuidados de saúde continua a ser uma das maiores preocupações do interior do país, o Baixo Alentejo destaca-se por conseguir reduzir o número de utentes sem médico de família, contrariando a tendência de agravamento verificada no restante Alentejo.