Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto conclui que os idosos do Baixo Alentejo com níveis mais elevados de solidão são quem mais utiliza os serviços de saúde.
A investigação, que inquiriu mais de 300 pessoas com mais de 65 anos no distrito de Beja, revela que quanto maior é a solidão, maior é o número de consultas, idas às urgências e o consumo de medicamentos.
Segundo os dados, mais de metade dos participantes referiu sentir solidão leve e cerca de 15% solidão severa. Nestes casos, os investigadores registaram uma média de quase sete medicamentos por dia, seis consultas anuais nos cuidados de saúde primários e duas visitas às urgências.
O estudo, publicado na revista European Geriatric Medicine, alerta que a solidão surge como um fator clínico relevante, aumentando a pressão sobre o sistema de saúde.
O trabalho contou com a colaboração das médicas e investigadoras Ângela Mira e Cristina Galvão, da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo.
Os autores defendem mudanças estruturais, com mais investimento em programas comunitários, envelhecimento ativo e prescrição social, sublinhando que a solidão é prevenível, identificável e tratável sem recorrer apenas à medicação.