Trabalhadores intoxicados já tiveram alta hospitalar

Os casos de intoxicação foram registados depois de no sábado já terem sido assistidos 17 funcionários com os mesmos sintomas.

A Portugal Telecom vai abrir uma auditoria interna ao caso.

Entre sábado passado e ontem, segunda-feira, cerca de 60 funcionários do “Call Center” da PT em Beja tiveram que ser assistidos no hospital após apresentarem queixas de ardor nos olhos, náuseas, tonturas, dores de cabeça, comichão e dores abdominais. O edifício acabou por ser evacuado ontem e mantém-se encerrado.

Em comunicado de imprensa a PT Portugal adianta que “foi realizada uma intervenção regular de desinfestação no edifício do contact center da PT Portugal em Beja, por uma empresa credenciada para o efeito”. Após o sucedido, a PT Portugal diz que realizou “a limpeza exaustiva dos aparelhos de ar condicionado, dos espaços e o seu arejamento prolongado e de imediato iniciou um processo de averiguação do sucedido”. A empresa diz ainda que vai efectuar uma auditoria interna “com objetivo de averiguar a origem das más disposições causadas nos trabalhadores daquele edifício”.

Recorde-se que no Call Center da PT, em Beja, registaram-se na tarde desta segunda-feira novas intoxicações. O alerta foi dado pouco depois das 14 horas.

Pela sala de triagem, instalada no edifício, passaram 44 funcionários. Destes, 41 foram conduzidos ao Hospital José Joaquim Fernandes com vómitos, dores abdominais, náuseas e desmaios, os sintomas apresentados pelos 17 colegas que foram hospitalizados no último sábado.

Ao que tudo indica a intoxicação foi provocada por uma desinfestação de piolhos de pombos no 3.º e no 4º andar do edifício, local onde trabalham cerca de 400 funcionários e que ocorreu na madrugada da passada sexta-feira levada a cabo por uma empresa externa à PT.

No local estiveram seis corporações de Bombeiros da região, nomeadamente de Beja, Ourique, Alvito, Serpa, Aljustrel e Castro Verde, PSP de Beja e a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT).

Mais de trinta homens prestaram socorro às vítimas, entre as quais um enfermeiro e um técnico de saúde da ambulância de suporte imediato de vida de Castro verde (SIV) e da VMER do INEM estacionada no Hospital de Beja, com um médico e um enfermeiro.

Em declarações à Rádio Pax, Pedro Barahona, 2.º comandante dos Bombeiros de Beja, confirmou que “a causa das intoxicações tem a ver com um produto tóxico utilizado na desinfestação do edifício para combater uma praga de piolhos de pombo”.

A PT mantém o edifício encerrado nesta terça-feira e não reabrirá “enquanto não estiverem reunidas as condições de segurança para os trabalhadores” .

Também a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) está a proceder a averiguações.