O Alentejo está no centro de uma proposta de reforma do sistema eleitoral que poderá dar mais peso político à região e obrigar os partidos a trabalhar de forma diferente. A ideia foi apresentada pelo Institute of Public Policy – Lisbon, que pretende avançar até ao próximo ano com uma iniciativa legislativa de cidadãos para alterar profundamente as regras das eleições em Portugal.
O estudo defende mudanças nos atuais círculos eleitorais, a criação de um círculo nacional de compensação e mecanismos que permitam aos eleitores ter uma influência mais direta na escolha dos candidatos.
Durante a apresentação, o economista e antigo deputado socialista Paulo Trigo Pereira utilizou precisamente o Alentejo como exemplo. Segundo o responsável, se a região passasse a constituir um único círculo eleitoral, reunindo os distritos de Beja, Évora e Portalegre, os partidos seriam obrigados a reformular a sua organização interna e a reforçar a articulação regional.
A proposta procura responder a problemas como a desigualdade de representação entre o litoral e o interior do país e aos chamados “votos desperdiçados”, ou seja, votos que acabam por não eleger deputados.
Paulo Trigo Pereira anunciou que o objetivo passa por reunir as 20 mil assinaturas necessárias para apresentar uma iniciativa legislativa de cidadãos na Assembleia da República já durante o próximo ano.
Também o antigo ministro social-democrata António Capucho defendeu a revisão dos círculos eleitorais e a criação de um círculo nacional que permita melhorar a proporcionalidade dos resultados eleitorais.
Por sua vez, o antigo líder do CDS, José Ribeiro e Castro, considerou que a representação política precisa de ser reforçada e alertou para o afastamento crescente dos cidadãos da vida democrática.
Já o ex-deputado socialista Jorge Lacão sustentou que qualquer reforma deve contribuir para aumentar a legitimidade dos eleitos e fortalecer a autoridade do Parlamento.
O debate está lançado e poderá abrir caminho a uma das mais profundas alterações ao sistema eleitoral português desde a instauração da democracia, com impacto direto na representação de regiões do interior como o Alentejo.