Beja vai estar na linha da frente da nova estratégia nacional de restauro da natureza. A cidade alentejana foi escolhida pelo Governo para integrar um conjunto de projetos-piloto que vão testar soluções de adaptação às alterações climáticas e reforço dos espaços verdes urbanos, no âmbito do Plano Nacional de Restauro da Natureza.
A iniciativa faz parte de um programa que prevê um investimento médio de 500 milhões de euros por ano até 2030 e que contempla mais de 400 medidas destinadas à recuperação de ecossistemas em todo o país.
Numa primeira fase, Beja junta-se a Évora, Leiria, São João da Madeira e Vila Real na implementação de projetos ligados à criação de corredores verdes, arborização de ruas e praças, coberturas e fachadas verdes e redes de abrigos climáticos para proteger a população dos efeitos das ondas de calor.
O plano prevê ainda a plantação de três milhões de árvores por ano até ao final da década, a recuperação de 1.500 quilómetros de linhas de água e o restauro de 44 mil hectares de áreas florestais.
Segundo o documento, existem atualmente 260 quilómetros quadrados de ecossistemas terrestres, costeiros e de água doce que necessitam de intervenção urgente, com especial preocupação para zonas húmidas, rios, lagoas e habitats dunares.
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, considera que o Plano Nacional de Restauro da Natureza é “mais do que uma obrigação”, afirmando tratar-se de “uma oportunidade para repensar a gestão do território e colocar Portugal na vanguarda de uma nova política ambiental europeia”.
O plano segue agora para consulta pública durante um mês e deverá ficar concluído até ao final de agosto. Portugal integra atualmente o grupo dos primeiros cinco países da União Europeia que se encontram na fase final de elaboração deste instrumento estratégico, considerado fundamental para travar a perda de biodiversidade e aumentar a capacidade de resposta às alterações climáticas.
Para Beja, a inclusão neste projeto-piloto representa uma oportunidade para reforçar a qualidade ambiental urbana e preparar a cidade para os desafios climáticos das próximas décadas.