A greve geral aconteceu. A manifestação decorreu. E quando tudo acabou, quando a maioria das pessoas foi à sua vida, ficaram ali algumas dezenas. Não para protestar. Para provocar.
Pegaram nas barreiras da escadaria da Assembleia da República e atiraram-nas para o meio da estrada. Insultaram polícias. Atiraram garrafas, petardos, very lights. Alguns tinham a cara tapada — o sinal mais claro que aqueles vândalos não vão ali defender ideias, mas arranjar problemas.
A polícia avisou. Repetiu o aviso. Deu tempo para dispersar. Só então avançou: sem cargas, sem brutalidade, com a proporcionalidade que a situação exigia. Quem lá estava teve mais do que uma oportunidade de sair pacificamente. Escolheu não o fazer.
Chame-se as coisas pelo nome: isto não foi manifestação. Foi vandalismo. E vandalismo praticado deliberadamente, por quem foi ali com esse propósito.
Há uma pergunta que fica no ar e que merece resposta direta do Ministro da Administração Interna: continua a ver violência política apenas quando vem da direita radical? Continua a fechar os olhos quando vem da esquerda radical?
A violência não tem ideologia que a justifique. Quem esteve presente para provocar distúrbios deve ser responsabilizado pelos seus atos, independentemente da sua posição política. A lei deve aplicar-se de forma igual a todos. Ou, pelo menos, assim deveria ser.