A megaoperação que permitiu apreender cinco toneladas de cocaína ao largo de Sines ficou envolta num novo mistério. Um dos detidos foi encontrado morto no Estabelecimento Prisional Anexo da Polícia Judiciária, poucas horas depois da detenção, levando à abertura imediata de uma investigação para apurar as circunstâncias do óbito.
Apesar da gravidade da situação, a morte não foi divulgada durante a conferência de imprensa realizada pela Polícia Judiciária para apresentar os resultados da operação “Skydrop”. Questionada posteriormente, a PJ esclareceu que a conferência teve como único objetivo explicar a operação de combate ao narcotráfico, considerando o óbito um processo distinto, sujeito a investigação autónoma.
A Polícia Judiciária confirmou que foi informada da morte durante a manhã e que acionou de imediato todos os mecanismos legais previstos. A investigação está agora a cargo da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo, que garante não existir, para já, qualquer conclusão sobre as causas da morte, recusando avançar hipóteses enquanto decorrem as diligências.
Segundo a PJ, o navio porta-contentores, proveniente de um país da América Latina, foi intercetado em alto-mar, a cerca de 640 milhas náuticas de Lisboa, o equivalente a aproximadamente 1.185 quilómetros da costa portuguesa. A embarcação foi escoltada pela Marinha até ao Porto de Sines, onde atracou durante a madrugada, permitindo a apreensão de cerca de cinco toneladas de cocaína.
Na operação foram detidos três suspeitos, incluindo o homem entretanto encontrado morto, além de dois passageiros clandestinos, de nacionalidade italiana e colombiana.
O cadáver foi removido por ordem da delegada de saúde e transportado para o Instituto Nacional de Medicina Legal, acompanhado por um inspetor da Brigada de Homicídios da Polícia Judiciária.
Enquanto prossegue a investigação ao maior carregamento de droga apreendido este ano em Portugal, a morte de um dos detidos abre agora um novo capítulo num caso que continua a levantar muitas perguntas e que promete manter-se sob forte escrutínio nos próximos dias.