A polémica da escola de pilotos de Tancos abriu uma fenda dentro da própria Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo. O presidente da Câmara de Beja, que é também vice-presidente da CIMBAL, não se revê no comunicado da comunidade e vai levar o assunto à “sede própria”.
A CIMBAL tinha manifestado oposição à escolha de Tancos para a escola de pilotos associada à privatização parcial da TAP, defendendo que o investimento devia ter ido para o aeroporto de Beja. O presidente, António José Brito, argumentou que Beja já tem infraestrutura civil e militar operacional, não precisa das adaptações previstas para Tancos e tem experiência na formação de pilotos. Falou numa nova desvalorização estratégica da região.
Palma Ferro não está de acordo. “Não me revejo, não estou de acordo por motivos técnicos, tenho uma opinião completamente diferente”, afirma. E acrescenta uma queixa: sendo vice-presidente da CIMBAL não foi consultado sobre o comunicado. Garante que vai dizer “dentro de casa” aquilo que tem a dizer.
O autarca explica que a posição resulta de ter estudado o assunto e ouvido várias opiniões, de pessoas tecnicamente habilitadas. O problema, diz, está no espaço aéreo. Com as esquadras que a Base Aérea tem, a utilização é “tremenda” e, sobretudo, aleatória. Os horários não são certos e há treinos de todos os tipos. Isso, defende, é inconciliável com uma escola de pilotos de uma companhia como a Lufthansa, que teria sempre em permanência um número muito grande de pilotos, a precisar de uma ocupação do espaço aéreo incompatível com as exigências do país e com os compromissos que Portugal possa ter com a NATO.
A conclusão é dura. “Era muito bom termos cá a escola de pilotos, mas não é realizável. É quase um sonho impossível.”
Palma Ferro não quer, ainda assim, que a região se cale. Diz que é preciso ser exigente com o Governo, reclamar e combater o sentimento de abandono, mas “com foco e com critério”, sob pena de se perder credibilidade. E deixa um recado: não se deve embarcar em ideias vendidas há muitos anos, como a de um aeroporto com tráfego comercial, que só seria viável se a Base Aérea saísse de Beja. E isso, afirma, é “completamente inimaginável”, dado o retorno que a base traz ao concelho e à região.
O caminho, defende, é apostar na manutenção e na indústria aeronáutica, e não na ocupação do espaço aéreo. Mesmo com a fábrica da Embraer a produzir aviões em Beja, lembra, os testes não precisam de ser feitos a horas certas, com ciclos bem definidos. “Se me dissessem que a Embraer ia ser instalada noutro lado, aí teríamos, de facto, um problema”, afirma. Nesse caso, garante, seria altura de apontar o dedo ao Governo.