A modernização da linha entre Casa Branca e Beja deverá arrancar no segundo semestre de 2027, a A26 até à capital do Baixo Alentejo está prevista para 2028 e o novo hospital só precisará de dinheiro para a empreitada nesse mesmo ano.
Os prazos são avançados por Gonçalo Valente, parlamentar do PSD eleito pelo círculo de Beja. O social-democrata defende a proposta de Orçamento do Estado para 2027 e garante que o Executivo tem um calendário definido para obras que considera essenciais ao distrito.
Depois do debate na Assembleia da República, a Rádio Pax quis ouvir os eleitos por Beja e perceber que vantagens ou entraves a proposta poderá trazer à região. Gonçalo Valente anuncia centenas de milhões de euros em investimentos, mas admite que algumas das obras mais esperadas pela população terão de aguardar.
Segundo o deputado, estão assegurados 250 milhões de euros para novas vias, manutenção, repavimentações e outras intervenções. É “uma verba muito significativa que irá servir para continuarmos a melhorar o estado das nossas estradas, como há décadas não se via”, afirma. Aponta ainda 660 milhões, a distribuir pelos próximos anos, para projetos que classifica de estruturantes, sem contar com a A26.
Linha de Casa Branca a Beja entra em obras em 2027
Entre as prioridades está a modernização do caminho-de-ferro que liga Casa Branca a Beja. Gonçalo Valente assegura que a intervenção está prevista para o segundo semestre de 2027. Antes disso, nos primeiros três meses do ano, devem começar a circular três novas carruagens no percurso. Para o parlamentar, é hoje um dos projetos com calendário mais adiantado.
“2027 será um ano de avanços concretos nestas duas infraestruturas, pois assim estipula o calendário aprovado pelo Governo. (…) A ferrovia está mais adiantada e, de acordo com este calendário, espera-se arrancar no segundo semestre de 2027”, afirma.
A26 até Beja: projeto em 2027, obra em 2028
Quanto à A26, uma das reivindicações mais antigas do Baixo Alentejo, o projeto deverá ser entregue no segundo semestre de 2027. Seguem-se a avaliação e a aprovação ambiental, antes de a empreitada poder avançar. O arranque da construção aponta para 2028, se forem cumpridos os trâmites legais e administrativos.
“Entrega do projeto da obra da A26 até Beja no segundo semestre e posterior avaliação e aprovação ambiental. Isto significa que, cumprindo os trâmites normais e legais para uma obra desta natureza, a obra irá arrancar em 2028”, garante.
Hospital de Beja abre confronto com os socialistas
É a propósito da unidade hospitalar que Gonçalo Valente lança as críticas mais duras. Os socialistas têm acusado o Executivo de atrasos sucessivos e reclamam dinheiro inscrito no Orçamento. O social-democrata rejeita as acusações e sustenta que o processo ainda não chegou à fase em que é preciso verba para construir.
“O PS acusa o Governo de sucessivos atrasos e exige financiamento no Orçamento para o Hospital, porque não tem noção daquilo que está a dizer, ou, se tem, quer enganar as pessoas. Em 2027 não vão haver obras no nosso Hospital, logo que sentido faz plasmar uma verba no Orçamento do Estado para esse efeito?”, questiona.
Pelo calendário que apresenta, o concurso de arquitetura deve abrir até ao final de 2026 e a adjudicação acontecer ao longo de 2027. Para esta fase preparatória estão cabimentados cerca de 5,5 milhões de euros, a gastar entre o fim deste ano e o próximo. Seguem-se os procedimentos da empreitada e a decisão de financiamento em Conselho de Ministros. Na sua perspetiva, o dinheiro para a construção só terá de constar do Orçamento de 2028.
Mas o deputado deixa também um alerta ao próprio Executivo: se a verba não surgir nessa altura, haverá uma promessa por cumprir.
“Se no próximo Orçamento do Estado não vier, aí sim o Governo estará a faltar com a sua palavra. O compromisso que deixo é de que irei continuar muito atento e a acompanhar este processo como tenho feito e jamais deixar cair em esquecimento”, assegura.
E acrescenta: “Se em 2028 não tivermos verba para executar a obra, então o Governo terá de assumir as suas responsabilidades e eu serei o primeiro a afirmar que não cumpriu o que prometeu. Até agora estamos a cumprir o prometido.” Fica assim claro que 2028 será o ano decisivo para avaliar o cumprimento dos compromissos.
Agricultura: regadio de Moura e mais rendimento
Na agricultura, Gonçalo Valente destaca a conclusão do Bloco de Rega de Moura, infraestrutura que considera fundamental e que os produtores reclamam há muito. Anuncia também uma reprogramação do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum, o PEPAC, destinada a reforçar os rendimentos.
“Quanto ao setor agrícola, estamos a contar concretizar o Bloco de Rega de Moura, obra há muito reivindicada pelos nossos agricultores. Vamos aumentar o rendimento dos agricultores em cerca de 170 milhões de euros, através de uma reprogramação do PEPAC”, explica.
Defende ainda o avanço dos procedimentos para novas barragens, no âmbito da estratégia nacional “Água que Une”, a fim de melhorar o acesso à água e abrir oportunidades às explorações de sequeiro, particularmente vulneráveis à irregularidade da chuva.
“Vamos também intensificar os procedimentos que permitirão construir várias barragens, integradas na estratégia nacional “Água que Une”, que serão fundamentais para que o sequeiro tenha uma ajuda acrescida, de forma a aumentar o rendimento destas explorações agrícolas e revitalizar o setor”, acrescenta.
“Um orçamento que vai permitir continuar a investir na nossa região”
No balanço político da proposta, rejeita que o Baixo Alentejo esteja esquecido. Acredita que o investimento em estradas, caminho-de-ferro, regadio e preparação de novas infraestruturas poderá transformar a economia regional.
“Em suma, é um orçamento que vai permitir continuar a investir na nossa região, resultando daqui um conjunto de infraestruturas que irão impulsionar a nossa região e as suas atividades socioeconómicas, requalificação de outras e início de procedimentos que vão permitir criar riqueza em sítios que atualmente existe uma economia de subsistência”, explica.
A26, linha ferroviária, hospital, Bloco de Rega e barragens são, assim, os projetos que o social-democrata coloca em primeiro plano. Os calendários indicam que o próximo ano será sobretudo de arranque de obras e de desenvolvimento de projetos, ficando a construção da autoestrada e a empreitada hospitalar para 2028. O parlamentar promete continuar a acompanhar os processos e a responsabilizar o Executivo se os prazos e o financiamento falharem. Para o eleito, o Orçamento é um passo importante, mas o verdadeiro teste será o cumprimento dos calendários agora anunciados.