Os agricultores estão a perder a paciência e a CAP avisa: sem dinheiro, vem aí protesto.
A Confederação dos Agricultores de Portugal exige ao Governo um pacote de 140 milhões de euros em apoios. A decisão foi tomada por unanimidade, hoje, numa reunião extraordinária em Lisboa.
O motivo? Os custos de produção não param de subir, sobretudo os dos combustíveis e dos adubos. Para a CAP, os apoios até agora anunciados, incluindo os 20 milhões de euros para fertilizantes, ficam muito aquém do necessário.
E há uma comparação que dói. Em Espanha, o Governo já pôs em cima da mesa cerca de 1.100 milhões de euros, o que, diz a confederação, deixa os agricultores portugueses em clara desvantagem no mesmo mercado.
A CAP aponta ainda o dedo a Lisboa por não aproveitar as ferramentas de Bruxelas, como a reserva de crise e a possibilidade de reforçar com dinheiro nacional os fundos da política agrícola comum. Considera inaceitável que o Governo abdique disso enquanto as perdas se acumulam.
O aviso é claro: sem uma resposta à altura, corre-se o risco de mais importações e de maior dependência alimentar do país.
A CAP vai entregar as reivindicações em mão, no Parlamento e na residência do primeiro-ministro, em São Bento, a 12 de outubro. E deixa a ameaça: sem medidas, os protestos serão inevitáveis.