As colisões rodoviárias com javalis e outros animais selvagens estão a aumentar de forma preocupante em Portugal, ultrapassando já as mil ocorrências por ano e levantando novos alertas para a segurança nas estradas.
Os dados foram divulgados durante o seminário “Impacto – Rumo à Mitigação dos Impactos dos Ungulados Silvestres em Portugal”, onde especialistas revelaram que o número de acidentes tem vindo a crescer de forma exponencial.
Só nas estradas sob responsabilidade da Infraestruturas de Portugal foram registadas mais de 140 colisões em 2025. Desde 2010, contabilizam-se 856 acidentes, dos quais 762 envolveram javalis.
Contudo, quando são consideradas todas as estradas do país, os números são bastante superiores. Um estudo da Universidade de Aveiro, promovido pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, identificou mais de 500 acidentes por ano entre 2019 e 2020, estimando-se agora que o número de colisões anuais já ultrapasse o milhar.
Segundo o investigador Carlos Fonseca, existem zonas particularmente críticas, como os distritos de Coimbra e Viseu, onde a elevada densidade de javalis está diretamente relacionada com o aumento da sinistralidade rodoviária.
Além dos acidentes, estes animais provocam elevados prejuízos na agricultura. De acordo com o secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, só os danos causados pelos javalis nas culturas de milho representam perdas superiores a oito milhões de euros por ano.
O novo projeto, promovido pelo Governo, pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e desenvolvido pela Universidade de Aveiro, pretende estudar a evolução das populações de javalis e outros ungulados, avaliar as atuais medidas de controlo e identificar soluções que permitam reduzir o número de acidentes e minimizar os impactos na agricultura.