CCDR Alentejo: Roberto Grilo ou Ceia da Silva?

A liderança da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do decide-se esta terça-feira.

Roberto Grilo, atual presidente deste organismo, e Ceia da Silva, que lidera a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, vão a votos, num colégio eleitoral composto por cerca de 1200 autarcas.

Roberto Grilo apresenta-se a eleições como independente. Defende que as “perspetivas criadas pelas ligações rodoferroviárias entre Sines e Beja e a fronteira acrescentam argumentos competitivos ao Baixo Alentejo, sobretudo à medida que se consolidam os benefícios resultantes do sistema de Alqueva para a estruturação futura do setor agroalimentar, de particular relevância para a transformação económico e produtiva” da região.

No plano da infraestruturação económica e logística, diz que com a sua eleição o Alentejo pode ganhar com “o aproveitamento e rentabilização económico e empresarial do aeroporto de Beja, futura criação de uma plataforma logística agroalimentar e a qualificação das áreas de acolhimento empresarial”.

O atual presidente da CCDR pretende “aprofundar as atribuições e competências” deste organismo, “não apenas em matéria de desenvolvimento económico, mas também em resposta aos desafios da sustentabilidade e ação climática, da transição digital e do ordenamento do território”.

Assim, entre as suas prioridades está “responder às exigências do trabalho em rede com os organismos desconcentrados da administração central, criando condições para operacionalizar as apostas estratégicas do plano de recuperação e resiliência nas suas incidências regionais, com as entidades parceiras da sociedade civil e os municípios”.

 Outra aposta é na “valorização da concertação de interesses, contribuindo para transformar políticas setoriais em políticas territoriais, nomeadamente estimulando a capacitação do nível intermunicipal e dotando as comunidades intermunicipais de competências de gestão e de engenharia de projeto que reforcem a eficácia e eficiência na afetação de recursos, em articulação com todos os municípios”.

Roberto Grilo diz que a sua candidatura se “distingue” pela experiência que ele próprio tem no exercício do cargo. Mas também “por ser independente, sem qualquer agenda partidária”, o que, sublinha, “confere maior liberdade e margem de atuação no relacionamento com os ‘stakeholders’ locais, designadamente as autarquias”.

” António Ceia da Silva foi o primeiro a apresentar-se a votos. “Com os olhos postos no futuro”, diz pretender tornar a CCDR “atuante em todo o território” para “abrir caminho e potenciar a descoberta de iniciativas dos pequenos e micro empresário (que são imensos no Baixo Alentejo) e dos jovens empreendedores que querem criar riqueza e emprego, apontando-lhes os caminhos e as janelas de financiamento do futuro Programa Operacional (PO) Regional e das várias linhas de apoio”.

Ceia da Silva não se assume como um “homem de gabinete”, e, portanto, espera disponibilizar “bastante [do seu] tempo numa liderança colaborativa com as câmaras municipais, os empresários e os agentes do setor em todo o Baixo Alentejo”.

O também presidente da Entidade Regional de Turismo querer “trabalhar em conjunto com as associações empresariais setoriais e multissetoriais, organizando anualmente roteiros para a descoberta empresarial do Baixo Alentejo” e “contribuir para a formação e dinamização de verdadeiros projetos mobilizadores que façam a diferença e alterem os indicadores de desenvolvimento”.

A “CCDR tem de ser o veículo da diplomacia da região, tem de ser mais ativa e menos expectante, assim como tem de estar no terreno e ser mais exigente com o Governo. Tal como a Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo (Adral), a CCDR deve ter uma grande delegação em Bruxelas que possa fazer chegar ao território fundos estruturantes e diferenciadores”, explica.

Diz Ceia da Silva que o presidente deste organismo “tem de ter a capacidade para falar com o primeiro-ministro, com os ministros e com a União Europeia. Temos projetos que são decisivos para o território e temos de lutar por eles”.

Entre as prioridades para o território aponta a “eletrificação da linha ferroviária até Beja, tornar comercialmente ativo o aeroporto, recuperar as acessibilidades a Odemira e transformar Sines num grande porto internacional”.