CNA contesta “aumento” dos apoios à agricultura e acusa Governo de maquilhar os números

CNA contesta “aumento” dos apoios à agricultura e acusa Governo de maquilhar os números

A Confederação Nacional da Agricultura põe em causa os números apresentados pelo Governo sobre os pagamentos feitos aos agricultores até ao final de agosto.

O Ministério da Agricultura anunciou um aumento de 225 milhões de euros, equivalente a mais 39% face ao mesmo período de 2025. Mas, para a CNA, estes valores não traduzem uma verdadeira melhoria do apoio ao setor e escondem, segundo a organização, atrasos nos pagamentos devidos aos produtores.

A confederação aponta, em particular, para os apoios ao investimento do PDR2020. Segundo a CNA, uma parte significativa do aumento anunciado resulta de verbas que deveriam ter chegado aos agricultores em 2025, mas que acabaram por ser pagas apenas este ano, na sequência de dificuldades na transição para o PEPAC.

Também os apoios destinados a compensar o aumento dos custos de produção são alvo de críticas. A CNA refere que o Governo pagou cerca de 30 milhões de euros através das medidas extraordinárias, mas considera que o montante fica muito aquém dos custos suportados pelos agricultores.

A organização calcula que, desde o início da guerra com o Irão, a subida do preço do gasóleo já terá representado um custo adicional de cerca de 55 milhões de euros para os produtores portugueses.

Quanto às perdas provocadas pelas intempéries registadas no início do ano, a CNA afirma que os pagamentos continuam longe dos valores anunciados. A confederação diz que, na ajuda simplificada, ainda não foi pago metade do montante previsto e garante que, nos avisos do PEPAC destinados a esses prejuízos, não terá sido efetuado qualquer pagamento.

Perante este cenário, a CNA acusa o Ministério da Agricultura de apostar numa comunicação baseada em grandes montantes, sem que isso corresponda, na sua perspetiva, à realidade vivida no terreno.

A organização considera que milhares de agricultores, sobretudo pequenos e médios produtores, continuam a enfrentar sérias dificuldades financeiras e defende que os apoios públicos estão longe de responder à dimensão dos problemas.

Para a CNA, os números apresentados pelo Governo não refletem a verdadeira situação do setor agrícola português, onde a estabilidade económica continua, segundo a confederação, longe de estar garantida.

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