José Barriga: Beja sem “Rei nem Roque” (1ª parte)

Nunca pensei que um simples artigo de opinião, publicado há dois meses atrás no Diário do Alentejo, deixasse tanta gente nervosa e descontrolada, obrigando-os a seguir pelo caminho da ofensa, do boato e da injúria em relação à minha vida pessoal, com um sem número de mentiras e calunias. Padecem de uma doença incurável que, como médico, não tenho solução: a inveja, o ciúme, a mesquinhez que é naturalmente uma maneira muito baixa e vergonhosa de reagir. Quando não há argumentos ataca-se no escuro, sem rosto, tentando destruir alguém que vos faz frente tanto do ponto de vista profissional como pessoal. Mas garanto-vos, não vão conseguir. Obviamente que me estou a dirigir a todos aqueles que se sentiram  fendidos no meu artigo de há dois meses atrás, e que actuaram escondidos na penumbra da noite, com invenções e calunias que quem me conhece, a mim e à minha família, sabe que não podiam ter o mínimo de veracidade. São realmente gente muito baixa e medíocre.

Falando de outro assunto, é realmente um espaço muito curto desde a tomada de posse do actual executivo, mas a situação actual é grave e exige uma tomada de posição.

Temos um executivo completamente ausente das realidades do concelho, sem a mínima ideia de como se gere uma câmara, com um presidente omnipotente que gere à sua maneira, sem o mínimo de respeito pelo seu elenco governativo. São meros peões decorativos e sem qualquer ideia e poder de decisão, basta inquirir sobre qualquer assunto e a resposta é “vamos ver”. Obrigatoriamente tudo passa pelo crivo do presidente que tudo controla, com uma gestão como se fazia há 30 anos atrás no poder autárquico, em que tudo era fácil e não havia as exigências que há hoje em termos de controlo e organização de serviços. Estamos a assistir, de uma maneira silenciosa e sorrateira sem fazer grandes ondas, à desorganização total dos serviços camarários. A quem interessa esta desorganização em que ninguém sabe “nada de nada”?

Para comprovar o que foi referido anteriormente vou enumerar três das frases mais marcantes do actual presidente do executivo no debate da campanha eleitoral: “Vou reunir com os trabalhadores”. Até hoje faltou à palavra e segundo parece manifesta um alheamento e um desprezo total pela grande maioria dos funcionários.

“Contas na rua”. Pergunto se as contas na rua representam o que foi publicado no Diário do Alentejo na semana seguinte à tomada de posse. Só tenho dois comentários a fazer ou o senhor presidente e executivo são completamente ignorantes e quem os informa também o é, ou então, estão de má-fé e não passam de um grupo de aldrabões e mentirosos que querem confundir as pessoas do verdadeiro valor da dívida. A quem interessa esta confusão? Porque não pedir uma auditoria às contas da câmara? Assim tudo ficaria esclarecido.

“Vamos governar com as associações”. Realmente tenho alguma apreensão como vai governar a câmara com as associações, a não ser que se esteja a referir às associações do partido comunista. Será que essas mesmas associações têm tido maior apoio financeiro e logístico por parte do executivo? Penso que sim, pois ainda não houve qualquer protesto na comunicação social sobretudo as da cor política do actual executivo. Como era hábito, o anterior executivo era massacrado todos os dias com notícias bombásticas a tentar denegrir a sua imagem e a dificultar o seu trabalho.

Gostaria ainda de saber se a transferência de fundos para as juntas de freguesia tem sido feita atempadamente e se já tiveram o aumento das verbas prometido em campanha eleitoral. Obviamente que não! Custa-me a querer que os presidentes das juntas que diariamente  pontavam o dedo ao anterior executivo de não cumprir os prazos não tenham uma palavra a denunciar estas atitudes. Será que os senhores estão realmente a defender as vossas populações ou o partido que representam? Tal como as associações, as freguesias também já têm todos seus problemas resolvidos pelo actual executivo?

Há uma situação que considero preocupante: a aprovação do orçamento da câmara pela Assembleia Municipal com grandes elogios por parte dos eleitos da CDU e não só. Não vou criticar o orçamento se é bom ou mau, critico e estou apreensivo é como está feito.

Colocar nas mãos do executivo/presidente mais de 3 milhões de euros na rubrica “outros”, num orçamento real de cerca de 22 milhões de euros, em que quase 90% do orçamento já está comprometido em despesas fixas, é obra e faz-nos lembrar as políticas orçamentais dos “sacos azuis”. Mais preocupante se torna ainda se está em causa um executante que já demonstrou as suas incapacidades para gerir a causa pública na câmara de Serpa, uma câmara muito mais pequena que a de Beja e que está numa situação económica completamente catastrófica. Por vezes, nem tem dinheiro para o combustível e a manutenção das viaturas. Esta situação é real, não estou a inventar! Basta ver os últimos cortes impostos pelo governo, mais 10% do  orçamento total da câmara, cerca de 1.200.000 euros, por não cumprir a legislação em vigor. O município de Serpa é neste momento um dos dez municípios com maiores problemas financeiros do país, estranhamente nem uma palavra sobre o assunto na comunicação social.

O que pretendem esconder? Será que irá acontecer o mesmo na câmara de Beja? A Assembleia Municipal deverá ser responsabilizada politicamente por esta posição. O problema é que com esta atitude, com a desorganização total dos serviços financeiros e administrativos da câmara e com as actuais normas que vêm do poder central, algo vai correr mal de certeza. Quem paga? É o município, a cidade e somos todos nós, assim como o município de Serpa está a pagar as excentricidades cometidas no passado.

Voltámos na última semana aos comentários sobre o facto lamentável do empréstimo do autocarro da câmara à CGTP. Faz-me uma certa confusão que o executivo não assuma politicamente o empréstimo do autocarro a tudo o que vem do partido comunista e da CGTP.

Como sabem, o empréstimo dos transportes com isenção de pagamento é definido em reunião de câmara e como o executivo da CDU tem maioria não sei porque não assumem politicamente o vosso acto e o tentam fazer às escondidas.

Considero preocupante a suspensão de praticamente todas as obras que vinham do anterior executivo já orçamentadas, cabimentadas e adjudicadas. Qual a razão dessa suspensão? Com prejuízos para a câmara e para a cidade em que algumas das empresas tiveram que ser indemnizadas. Será que algumas dessas obras vão ser entregues por ajuste directo a empresas com ligações partidárias? Vamos estar atentos. Por falar em ajuste directo, é voz corrente em Beja que a empresa que fez a iluminação de Natal é de Guimarães ou de Viana do Castelo. Custa-nos a acreditar que a escolha tenha sido apenas por ser uma empresa da terra ou da confiança do senhor presidente. Gostaria, se possível, que nos informassem qual a razão da escolha, se ficou mais barato à câmara e se não havia nenhuma empresa no concelho ou na região para o fazer.

Em minha opinião, é sem dúvida o pior executivo que alguma vez governou a câmara de Beja, sem ideias, completamente submisso à vontade de um presidente que tudo sabe, tudo gere à sua maneira e sem a menor noção da realidade do concelho onde exerce a função de  residente. Tenho bastantes dúvidas que conheça o concelho e os seus principais problemas. Manifesto as minhas preocupação e apreensão pelos factos atrás enumerados porque sou de Beja sempre cá vivi e trabalhei e não quero mudar de cidade.

Estarei sempre disponível para discutir todos estes assuntos e outros de interesse para o município na praça pública e não admito que trilhem o caminho do jogo baixo, da injúria e da mentira, pois nunca me farão desistir da defesa do que considero ideais de verdade, justiça e igualdade.

José Barriga