Eduardo Júlio Marques, de Vale de Santiago, conquistou o primeiro lugar no 25.º Concurso Regional de Mel, realizado no âmbito da FACECO 2026. O segundo prémio foi atribuído a Paulo Emanuel Rosa, de Baiona, freguesia de São Teotónio, enquanto o terceiro lugar distinguiu Júlio Mestre Catarino, de Colos.
Organizado pela Associação dos Apicultores do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (AASACV), o concurso contou este ano com 21 participantes e 24 amostras de mel, refletindo a diversidade da produção regional. Entre as amostras apresentadas destacou-se também o mel de medronheiro, uma variedade pouco comum e reconhecida pelo seu sabor caracteristicamente amargo.
Para o presidente da AASACV, Fernando Duarte, esta iniciativa, que assinalou a sua 25.ª edição integrada na FACECO, continua a desempenhar um papel fundamental na valorização da apicultura regional.
“O concurso tem duas vertentes. Por um lado, dar a conhecer à população a variedade de méis que temos e a boa qualidade do nosso mel, produzido pelos apicultores da região. Por outro, funciona como um incentivo para os próprios produtores melhorarem continuamente a qualidade do produto”, afirmou.
Segundo Fernando Duarte, a evolução registada ao longo dos anos é evidente. “No início apareciam algumas amostras com alguma sujidade e menor qualidade na apresentação. Hoje, praticamente todas apresentam uma excelente aparência, resultado do trabalho desenvolvido pelos apicultores e do investimento em equipamentos mais modernos, que garantem melhores condições de higiene e segurança alimentar.”
O dirigente destaca que o mel da região reúne hoje dois fatores essenciais para conquistar o consumidor: “Além de ser um mel de elevada qualidade, também já vem bonito, e isso é importante.”
A AASACV, sediada em Odemira, representa e apoia os apicultores do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, prestando assistência técnica, informação sobre candidaturas a apoios e promovendo o setor em articulação com a Federação Nacional dos Apicultores (FNAP).
Apesar da qualidade reconhecida da produção, Fernando Duarte admite que o setor enfrenta atualmente dificuldades crescentes. “Cada vez está mais difícil. Há um aumento da burocracia, somos obrigados a cumprir mais regras e, ao mesmo tempo, o preço do mel não tem acompanhado esse esforço. Nos últimos anos, em vez de subir, tem descido.”
A estas dificuldades juntam-se os efeitos das alterações climáticas. “A instabilidade do clima tem provocado produções menos satisfatórias e agora temos ainda a chegada da vespa asiática, que já está a começar a causar problemas aos apicultores da nossa região”, alertou.
O presidente da associação deixou ainda um apelo aos consumidores para privilegiarem a compra direta aos produtores locais. “Quando uma pessoa compra mel a um apicultor da sua região está a contribuir diretamente para a sustentabilidade da atividade, para a preservação das abelhas e para a dinamização da economia local.”
Ao celebrar um quarto de século de existência, o Concurso Regional de Mel volta assim a afirmar-se como uma montra da excelência da apicultura do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, premiando os melhores produtores e promovendo um produto cada vez mais reconhecido pela sua qualidade.