Perto de Serpa, há uma plantação de canábis a céu aberto, vigiada dia e noite, de onde saem medicamentos.
O projeto é do empresário Pedro Ferraz da Costa, líder do grupo farmacêutico Iberfar. Segundo a reportagem do Jornal Sol, a exploração tem cerca de seis hectares, com planos para chegar aos dez e, mais tarde, aos vinte e cinco. O primeiro medicamento chegou ao mercado em 2024.
Quem passa na estrada até sente o cheiro, mas lá dentro a realidade é bem diferente da imagem de uma plantação clandestina. Há cercas elétricas, câmaras, infravermelhos e segurança permanente, mesmo quando não há plantas no terreno, uma exigência do Infarmed.
A planta é cultivada em modo biológico, com rega gota a gota e sensores no solo. Planta-se em março e colhe-se a partir de setembro, porque, diz o empresário ao Sol, é a luz que dita tudo. No ano passado, foram dez toneladas de flor. Este ano, há vinte mil plantas no terreno.
A colheita emprega cerca de trinta trabalhadores, que começam às sete da manhã e acabam à uma da tarde. Segundo Ferraz da Costa, pagam mais do que a média da região, e a maioria regressa todos os anos.
Depois de cortada, a flor é congelada a dezoito graus negativos e segue para a indústria. O investimento ronda os catorze milhões de euros, a que se somam seis milhões em produtos em stock.
Já há sete combinações à venda, para situações como dor crónica, fibromialgia, efeitos da quimioterapia e alguns casos de epilepsia. O mercado é sobretudo português, mas a Alemanha já está na mira. E o empresário não tem dúvidas: a liberalização vai avançar e a empresa quer estar preparada.