João Português exerceu o seu direito de resposta ao abrigo da Lei de Imprensa

João Português exerceu o seu direito de resposta ao abrigo da Lei de Imprensa

Na sequência da notícia publicada pela Rádio Pax no passado dia 18 de maio de 2026, sob o título “O comunista João Português foi de Cuba para Ferreira do Alentejo praticar ‘terrorismo político’”, João Português exerceu o seu direito de resposta, ao abrigo da Lei de Imprensa.

No documento enviado à direção de informação deste órgão de comunicação social, o antigo autarca e dirigente da CDU considera que a peça jornalística contém acusações ofensivas da sua honra e bom nome, criticando ainda a ausência de contraditório por parte da Rádio Pax.

No texto, João Português rejeita as declarações proferidas por um porta-voz da concelhia do Partido Socialista de Ferreira do Alentejo e enquadra politicamente o atual clima de tensão em torno da Junta de Freguesia de Ferreira do Alentejo e da evolução eleitoral da CDU no concelho.

Na integra o direito de resposta:

Exm. Sr. Diretor de Informação da Rádio Pax:

Ao abrigo do disposto nos artigos 24.º e seguintes da Lei de Imprensa, vem João Português exercer o seu legítimo direito de resposta relativamente à peça jornalística publicada na edição de 18 de maio de 2026, sob o título “ O comunista João Português foi de Cuba para Ferreira do Alentejo praticar “terrorismo Político”, por considerar que a mesma contém referências ofensivas da sua honra, consideração e bom nome, sem que tenha existido qualquer preocupação jornalística de assegurar o indispensável contraditório.

Na referida peça são reproduzidas declarações de um porta-voz da concelhia do Partido Socialista de Ferreira do Alentejo que me dirigem acusações graves e profundamente ofensivas, chegando ao ponto de me associar a práticas de manipulação, mentira e “terrorismo político”. Apesar da gravidade extrema dessas imputações, o jornalista não entendeu contactar-me para ouvir a minha posição, violando um princípio elementar do exercício responsável do jornalismo: o direito ao contraditório.

Ao contrário desse porta-voz do PS, fui sucessivamente sufragado pela população em eleições livres e democráticas durante três mandatos consecutivos. Mais recentemente, apresentei-me pela primeira vez como candidato à presidência da Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo, tendo ficado a escassos 90 votos de derrotar o Partido Socialista, num dos resultados mais expressivos alcançados pela CDU no concelho nas últimas décadas.

E é precisamente esse o verdadeiro problema político que parece inquietar o Partido Socialista de Ferreira do Alentejo. Durante anos, o PS habituou-se a dominar o concelho sem oposição eleitoral consistente. Estava habituado a vencer com diferenças esmagadoras, sem ouvir as outras forças políticas e sem existir uma verdadeira alternância democrática. O crescimento eleitoral da CDU, a renovação das suas equipas, o aparecimento de mais pessoas competentes, sérias e reconhecidas no concelho, bem como os resultados obtidos nas últimas eleições autárquicas, vieram alterar profundamente esse cenário político.

O desespero político do PS resulta, acima de tudo, da enorme perda de influência eleitoral registada nos últimos oito anos e da perceção crescente, por parte da população, do desgaste da sua governação. Se a CDU não tivesse vencido a Junta de Freguesia de Ferreira do Alentejo e não tivesse alcançado o melhor resultado eleitoral para a Câmara Municipal das últimas quatro décadas, seguramente não existiria qualquer dramatização política nem acusações absurdas de “terrorismo”.

Importa também dizer, com clareza, que um dos problemas estruturais do concelho de Ferreira do Alentejo reside precisamente numa cultura política de coação e pressão instalada há décadas, onde quem ganha nem sempre pode governar porque os eleitos do Partido Socialista tudo fazem para impedir soluções que não controlem diretamente.

Foi exatamente isso que aconteceu na Junta de Freguesia de Ferreira do Alentejo. Apesar de a CDU ter vencido as eleições, o PS preferiu bloquear sucessivamente qualquer solução executiva, arrastando a freguesia para uma situação de impasse político que prejudica a população e impede o normal funcionamento da autarquia.

Relativamente às declarações proferidas pelo referido porta-voz socialista, limito-me a dizer que desconheço qual a sua autoridade moral, política ou ética para emitir juízos sobre terceiros e para se pronunciar sobre o meu carácter, a minha integridade e o meu percurso político e cívico. Sei apenas, porque é público, que exerce funções de adjunto do presidente da Câmara Municipal, por nomeação política, sendo hoje essencialmente a voz do aparelho socialista local. Nunca o vi apresentar-se a votos, nunca o vi expor-se ao sufrágio popular e nunca o vi assumir perante a população qualquer responsabilidade eleitoral direta.

Por contraste, Sandra Albino apresentou-se a votos, venceu as eleições para a Junta de Freguesia e tomou agora uma posição de integridade, verticalidade e honestidade política, devolvendo novamente a palavra à população para que esta decida democraticamente o futuro da freguesia. É isso que verdadeiramente incomoda o Partido Socialista de Ferreira do Alentejo: o facto de existirem hoje alternativas credíveis, legitimadas pelo voto e cada vez mais próximas da confiança maioritária da população.

Da nossa parte, aguardaremos serenamente o novo ato eleitoral, de consciência tranquila e convictos de que sempre colocámos os interesses da população acima de qualquer cálculo partidário. O mais importante é que a Junta de Freguesia possa rapidamente voltar a funcionar em plenitude e responder às necessidades da comunidade, porque é para servir as pessoas, e não aparelhos políticos, que os eleitos existem.

Solicito, assim, a publicação integral do presente direito de resposta, nos termos legalmente previstos.

João Português

Ferreira do Alentejo 19 de Maio de 2026

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