Miguel Ramalho: A pobreza e as opções que a determinam.

Num estudo com conclusões divulgadas recentemente, da responsabilidade da Fundação Manuel dos Santos, ‘Pobreza em Portugal – Trajetos e quotidianos’ que juntou uma equipa de 11 investigadores, dão-se pistas sobre quem são as pessoas em situação de pobreza em Portugal: 32,9% são trabalhadores com vínculos efetivos e trabalho regular, 26,6% são trabalhadores com vínculos precários, 27,5% são reformados e 13% são desempregados. A maioria das pessoas em situação de pobreza em Portugal trabalha. E entre os que trabalham, a maior parte (os 32,9%) tem vínculos laborais sem termo e auferem pelo menos o salário mínimo.

Sobretudo estes últimos dados deveriam fazer refletir e pôr a mão na consciência a todos aqueles que, quando se discute o aumento do salário mínimo, se deixam ir atrás da conversa das associações patronais e da comunicação social dominante ao seu serviço, quando se desdobram na ladainha de que é verdade que os salários são baixos mas que não há condições pois o País e as empresas não aguentam, a competitividade, etc, etc, etc…

A pobreza não é uma fatalidade, mas o resultado de opções deliberadas.

As opções dos partidos de direita mais tradicionais e dos seus sucedâneos são claras sobre este assunto, basta lembrar o último Governo de direita com Passos Coelho e Paulo Portas na liderança (congelamento de salários e reformas, congelamento de carreiras, corte no subsidio de Natal e tudo o mais de que não nos deveríamos esquecer).

Quanto ao PS, não mudou nem mudará as suas opções de classe (o pedido de desculpas às Associações patronais por, pressionado para ver o orçamento de Estado para 2022 aprovado, ter acordado medidas que beneficiam os trabalhadores, sem o prévio consentimento dos patrões, são o melhor exemplo) . O que mudou no PS nos últimos 6 anos e pode mudar no futuro são as condicionantes para as suas opções. Deixá-lo por isso de mãos livres terá o resultado que todos já conhecemos quando noutros momentos esteve nessa situação, o regresso às políticas de direita puras e duras.

Por isso, a 30 de janeiro, quando formos chamados a eleger uma nova Assembleia da República da qual resultará um novo governo, basta escolher o lado certo para que depois não tenhamos que nos continuar a queixar! 

Miguel Ramalho

Presidente da União de Freguesias de Santiago Maior e São João Batista