Opinião: Aldo Passarinho

Um Alentejo de futuro numa escola sem fronteiras.

Em tempos que ficarão marcados na história, pelo impacto global da atual pandemia, somos desafiados “diariamente” a pensar no futuro! 

No futuro imediato, que uma vacina nos oferece! Mas também nas diferentes possibilidades do nosso futuro coletivo, perante desafios societais que necessariamente vamos ter que enfrentar nos próximos anos. 

Desafios que passam pelos 17 objetivos do “desenvolvimento sustentável das nações unidas – para transformar o mundo”; e para os quais é fundamental aprofundar a nossa capacidade de empatia para com o outro, tal como pelas problemáticas associadas à atual crise climática.

Agora, em função da minha própria subjetividade como docente, acredito que nos próximos anos, a escola, os docentes, as comunidades escolares como um todo, continuarão a ser desafiadas a repensar o seu papel. Neste aspeto, os últimos meses foram completamente disruptivos na relação educativa, de ensino/aprendizagem que mantínhamos, tantas vezes “confinada” às salas de aulas, aos muros da escola, às nossas comunidades. 

E, se por um lado, sentimos a falta da empatia do olhar e do toque dos nossos alunos; a generalização no uso de ferramentas colaborativas de aprendizagem, ou tão simplesmente de comunicação, como o Teams, o Zoom ou o Discord,  permitiram-nos de uma vez por todas, perceber o potencial de comunicação, e amplificação da relação educativa descentrada do tempo e do lugar. 

Os espaços de aprendizagem multiplicam-se, descentram-se e permitem-nos o desafio de colocarmos estudantes de uma turma do Instituto Politécnico de Beja, do curso de licenciatura em Audiovisual e Multimédia – a trabalhar, de forma intensiva, durante uma semana que decorreu de 4 a 11 de dezembro, e que designamos por “Across The Border Week”, com estudante de um curso te Tecnologias da Informação e Comunicação, da Universidade de Ciências Aplicadas de Fontys – Eindhoven/Holanda, a partir de um desafio lançado pelo professor Nick Welman da universidade Holandesa.

Um desafio que passou por responder a um conjunto de proposições ou perguntas, que nos obrigaram a pensar nas relações, nas semelhanças, nas afinidades que temos com a Holanda, a partir da nossa região Alentejo; e que são muito mais interessantes do que as diferenças!

Uma semana de trabalho intensivo, que nos permitiu perceber como Portugal, o Alentejo e a Holanda podem ter tanto em comum! E não será só através da produção de hidrogénio verde em Sines para exportar para a Holanda; mas acima de tudo pela imensa curiosidade que o Alentejo desperta pela sua cultura, pelo seu potencial de relação sustentável com o ambiente, a natureza.

A escola quebrou as fronteiras! O Alentejo oferece-nos um espaço de aprendizagem, investigação e partilha de conhecimentos.