Opinião: António Sebastião

Referi numa última crónica aqui na Rádio Pax, que os resultados das eleições autárquicas, independentemente da vontade implícita ou explicita, manifestada em sentido contrário, pelos principais detentores do poder institucional (Presidente da República e Primeiro Ministro), teriam sempre uma leitura nacional.

Para além desta evidência que sempre tem acontecido, acrescenta que o líder do principal partido da oposição colocou o resultado destas eleições como condição para decidir se iria continuar ou não na liderança do Partido.

Por outro lado, o primeiro ministro também nacionalizou estas eleições ao trazer para a campanha como tema único e principal a questão da “Bazuca”, prometendo dinheiro para tudo e mais alguma coisa e com o propósito mais ou menos descarado de obter por aí vantagens eleitorais.

É neste contexto que estas eleições autárquicas, para além da importância que têm em cada um dos concelhos no que se refere às políticas a aplicar nos próximos quatro anos e também para as regiões, nomeadamente, nas Comunidades Intermunicipais, aparecem como um sinal muito claro, diria mesmo como uma resposta de um vasto setor da população portuguesa à necessidade de uma mudança na condução das políticas nacionais.

Não se pode dizer que o PS perdeu estas eleições, mas pode-se dizer que o PS perdeu importantes posições que detinha há bastante tempo e que sobre esse aspeto sofreu uma clara derrota, apesar de ter partido à frente e ter usado e abusado de meios do Estado como se deles fosse proprietário.

A vitoria do PSD na capital do País, contra todas as perspetivas, que tinham sido criadas por sondagens fabricadas, a vitoria em Coimbra, no Funchal, em Portalegre, a subida muito significativa no Porto, entre outras situações, são indicadores muito importantes que recolocam o Partido Social Democrata, como um grande partido nacional, com influência determinante tanto no eleitorado urbano como no interior do país.

Voltando a esta leitura, ou melhor a esta constatação de factos, espero sinceramente que o Partido Social Democrata assuma todas as suas responsabilidades perante o país como sempre o tem feito ao longo do nosso regime democrático e trabalhe para apresentar uma alternativa clara e mobilizadora da nossa sociedade.

Considero, pessoalmente, que Rui Rio deve interpretar corretamente estes sinais, intensificar a oposição a estas políticas socialistas, assente numa estratégia sustentável para o futuro, que privilegie o crescimento económico valorizando o papel que as nossas empresas têm na produção de riqueza e criação de emprego.

Estas posições devem acontecer de imediato, independentemente da vida interna partido que decorrerá normalmente e considero, de igual modo que, por tudo o que foi dito antes destas eleições, pelos sinais que foram transmitidos pelos seus resultados, é importante posições claras sobre o futuro e o Presidente do Partido não pode deixar instalar duvidas ou interrogações sobre as suas intenções relativamente á sua posição futura.

Rui Rio tem todas as condições para ser candidato a primeiro ministro de Portugal nas próximas eleições legislativas.

António Sebastião

Vereador do PSD na Câmara Municipal de Almodôvar