Opinião: João Paulo Ramôa

5 eleições….5 presidentes

Não deve haver mais nenhum Município em Portugal que tenha tido 5 Presidentes de Câmara diferentes, em 5 eleições consecutivas. Carreira Marques, Francisco Santos, Pulido Valente, João Rocha e Paulo Arsénio. O que seria muito imprevisível, pois é altamente provável a recondução no final de um primeiro mandato, o que não aconteceu. Será interessante interpretar-se a razão pelo qual os alentejanos, livre e democraticamente têm decidido assim.

Não se conhecem ainda os candidatos do BE e do Chega. Mas as três candidaturas do PS, CDU e PSD levam-me a prever que mais uma vez haverá mudança na composição autárquica, pois desta vez o PSD vai a jogo com um fortíssimo candidato, e será muito improvável uma maioria absoluta de qualquer dos 3 partidos. Isto é, qualquer que seja o Presidente, terá no seu elenco outras vozes diferentes, e terá de negociar, de ouvir, de ceder, de prestar contas nas até aqui, apagadas Assembleias Municipais.

Tenho em crer que, as últimas maiorias absolutas do PS e da CDU, que se traduziram em administrações autistas, tem sido exatamente esta atitude uma das razões para a insatisfação dos cidadãos e da volatilidade dessas votações. Apoderaram-se dos destinos do Concelho como se fossem donos e senhores, e deixaram de estimular e exercer a discussão cívica que tanto enriquece a democracia, acabando por minorar a sua ação executiva, mesmo quando é positiva.

O discurso da bipolarização, muito em voga no passado, não faz qualquer sentido atualmente. O Concelho já conhece o que é a gestão socialista e a gestão comunista. Nunca deu esta oportunidade ao Psd, que nestas eleições se apresenta com uma equipa que rompe com o recente imobilismo partidário e moribundo. Vamos ter três candidatos na linha de partida, em quase igualdade de circunstâncias, cada qual com os seus argumentos para chegar à frente na linha de chegada. Não há necessidade de votos úteis nem de canibalização da franja eleitoral social democrata, cuja mobilidade costuma entregar a vitória. O já público anúncio da necessidade da bipolarização, é um discurso indireto e perigoso com o consequente debilitar da democracia. Depois, em Outubro se verá.

João Paulo Ramôa

Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Beja