Opinião: José Barriga

 Socialista, sim ou não? Eis a questão

A minha actividade política como cidadão livre e independente iniciou-se há 28 anos atrás, como elemento da lista à Câmara de Ferreira do Alentejo pelo Partido Socialista. Na altura, cabeça de lista Socialista, o Dr. Luís Pita Ameixa, já havia sido anteriormente candidato por duas vezes e derrotado categoricamente. Após vários contactos e ponderada a situação, resolvi integrar as listas do PS com uma única intenção – melhorar as condições no Concelho. Como resultado dessas eleições, obtivemos uma vitoria esmagadora com cerca de 50% dos votos, contrariando todas as projecções e sondagens, pois a CDU era altamente dominadora na região na altura.

Em 1995, após o êxito eleitoral obtido em Ferreira do Alentejo, fui contactado pela estrutura Socialista para apoiar, como director de Campanha, a candidatura de António Guterres às eleições Legislativas de 1995. Aceitei o desafio como se fosse eu próprio o cabeça de lista, como sempre faço quando acredito nos Projectos.

A situação na altura do Partido Socialista não era famosa em termos de percentagens eleitorais. Era apenas o 3º partido do Distrito e não ultrapassava os 26% dos votos, atrás do PSD e da CDU. Após vários meses de luta e emoção, a campanha culminou no comício em Beja com uma assistência recorde (provavelmente a maior de sempre em Comícios Socialistas, em que, segundo os registos, ultrapassou as 7000 pessoas presentes). Na minha intervenção, foi pedido o 3º deputado para Beja em 5 possíveis, sendo que este não foi eleito apenas por cerca de 50 votos, tendo sido eleita a deputada Teresa Patrício Gouveia pelo PSD. Nessas eleições, o PS acabaria por obter tantos votos sozinho como todos os outros partidos juntos e seria eleito António Guterres como Primeiro-Ministro pelo Partido Socialista, pela primeira vez maioritário no distrito de Beja.

Como é habitual nos Partidos políticos, foram-me endereçados vários convites. Dou como exemplo Presidente da ARS Alentejo, Governador Civil de Beja e posteriormente, em 1999, Cabeça de Lista pelo Distrito de Beja. Nunca hesitei, apesar de tantos convites importantes, em seguir o meu caminho; decidi sempre pela profissão de Médico.

No início de 1997. Fui contactado por um grupo de cidadãos de Cuba, do qual fazia parte Francisco Orelha, com o fim de criar um grupo de trabalho para concorrer e tentar mudar o rumo político da Câmara de Cuba. Era um cenário pouco provável ou praticamente impossível, pois o Concelho de Cuba contava com uma forte implantação Comunista e um quase inexistente Partido Socialista, com apenas meia dúzia de militantes e com uma votação que não ultrapassava os 19% dos votos. Quando da apresentação da lista da CDU, decidimos organizar uma sessão sobre Regionalização (no mesmo dia), com cerca de 200 pessoas presentes. Foi o início da histórica vitoria em que nem a estrutura do Partido Socialista acreditava ser possível e a missão impossível foi tornada realidade. Volto a reforçar, foi a vitória em que ninguém acreditava.

Em 2009, após alguns contactos, elaborámos um projecto de mudança para a Câmara de Beja, uma vez mais, considerada tarefa difícil ou impossível, sobretudo numa cidade Capital de Distrito com 35 anos de governação e controlo comunista. Foi difícil organizar, incentivar e convencer os candidatos, sobretudo às Juntas de Freguesia Rurais. Tudo culminou com o já conhecido resultado final – vitória esmagadora contra todos os prognósticos s sondagens da comunicação social.

É inquestionável que estive ligado às grandes vitórias do Partido Socialista no distrito de Beja nos últimos 30 anos. Será que foi obra do acaso? Tirem as vossas conclusões. Sempre actuei e dei o meu melhor sem pedir nada em troca e que levante o dedo e me acuse o primeiro político a quem pedi algum favor ou algo em troca.

Pergunto – valeu a pena toda esta dedicação e empenho? Não estou arrependido porque me deu grande prazer ter contribuído de uma forma clara para mudanças importantes na nossa região. Estou sim altamente desiludido com o desempenho dos actuais representantes Socialistas, com atitudes altamente oportunistas, muitas vezes até ilícitas e que se servem das populações que representam apenas em proveito próprio, não tendo o mínimo de respeito para com quem os elegeu.

José Barriga

Médico