Opinião: José Miguel Almeida

O PRR

Temos ouvido dizer por diversas vezes que uma boa parte dos 16,64 mil milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) será destinado às empresas.

A descarbonização da indústria, o investimento inovador, a transição digital ou mesmo as “agendas verdes” são comumente referidos como tópicos de relevo para quem queira beneficiar destes fundos.

Mas será que as micro, pequenas e médias empresas irão a tempo de beneficiar do PRR?

Será que estas empresas estão preparadas para o “trabalho em conjunto” tão característico do PRR, que obriga à formação de consórcios “de missão”, sob uma determinada liderança para apresentação das candidaturas?

Na minha modesta opinião, não. As empresas não estão preparadas.

A cultura de associativismo empresarial em Portugal é reduzida e, salvo honrosas exceções, não estamos preparadospara a dimensão de um PRR, a executarem simultâneo com uma boa parte do quadro de apoio 2030.

Ao longo de décadas não foi convenientemente valorizado o trabalho das mais diversas associações, nem houve a coragem de discriminar positivamente e de forma exemplar os Projetos apresentados por empresas agregadas ao movimento associativo, o que ainda contribuiu mais para o afastamento das mesmas.

Desde o início da Pandemia, tornou-se frequente dizer que o trabalho em conjunto contribui para aumentar a resiliência. E verdade, mas mais importante do que dizer, é fazer!

Resta-nos esperar que, até 2026, seja possível agir de forma concertada para que esta “fatia maior” do tecido empresarial português não fique literalmente de fora.

As gerações futuras não nos iriam perdoar.

José Miguel Almeida

Presidente da Adega Cooperativa da Vidigueira, Cuba e Alvito