Opinião: Manuel Camacho

UMA OPORTUNIDADE A NÃO DESPERDIÇAR

A temática das alterações climáticas está na ordem do dia, frequentemente damos conta dos mais diversos episódios relativos ao “inconformismo” da mãe-natureza, perante as constantes agressões levadas a cabo pela atual civilização.

São as secas prolongadas, as cheias gigantescas, os tufões devastadores, os abalos sísmicos e presentemente assistimos à erupção de um vulcão numa ilha canária. O somatório de todas estas ocorrências, derivam em grande parte dos maus comportamentos do género humano, nomeadamente do uso e abuso dos combustíveis fósseis, assim como a emanação para a atmosfera de outros gases com efeito de estufa, originando um desequilíbrio planetário nos ecossistemas terrestres.

Uma das principais consequências destes desarranjos, traduz-se em ocorrências de aumento da temperatura média no nosso planeta e particularmente no sul de Portugal, com destaque para o Algarve e o Alentejo onde o avanço da desertificação é visível, bem como o acentuar de escassez de água, ocorrendo frequentemente captações em “volume morto” em várias albufeiras, para além de captações descontroladas e intensivas dos aquíferos destas regiões.

Perante este cenário, é imperioso a tomada de consciência dos diversos atores na adoção de boas práticas de gestão dos recursos hídricos, na agricultura, na indústria e sobretudo no abastecimento público de água às populações. É confrangedor constatar o desrespeito da generalidade das entidades gestoras, especialmente “em baixa”, onde nalgumas delas se registam fugas reais de água nas redesde abastecimento de 40 e 50%, para além da coleta de receitas ser em alguns casos irrisória, ao ponto de a água não faturada se situar acima de 60%. Ou seja, a persistir este cenário que convida os cidadãos ao desperdício, caminharemos inexoravelmente para uma trágica escassez dum bem tão precioso e indispensável para a natureza humana e para o desenvolvimento das regiões mais afetadas.

Os autarcas que neste momento estão a tomar posse nas câmaras municipais têm pela frente, talvez o maior desafio da década, sob pena de transportarem para o futuro uma “marca” deveras comprometedora na afirmação da nossa região. As gerações das décadas passadas arregaçaram as mangas e conseguiram num curto espaço de tempo dotar os nossos concelhos com infraestruturas que projetaram os nossos territórios com taxas de cobertura muito significativas, pois na altura era esse caminho. Agora, com os dados disponíveis não mais haverá desculpas para não atacar este problema de natureza ambiental.

Manuel Camacho

Engenheiro