Opinião: Nuno Palma Ferro

Mas quem serão afinal, os políticos de amanhã?

Não existem dúvidas em como ser “político profissional” em Portugal, perdeu a popularidade social de outrora. Existem algumas razões que explicam esta depreciação da classe que em grande parte se deve às consequências do insucesso político que tem conduzido o país.

Durante o século XX, com o desenvolver das democracias, a classe política sentiu uma intensidade maior das populações que exigem (e bem!) o máximo dos seus representantes.  Em Portugal, os inúmeros casos de corrupção, gestão danosa, enriquecimento pessoal e tráfico de influências conduziram a que exista um grande distanciamento entre o povo e os seus representantes. Mais do que não se identificarem, as pessoas repugnam a classe política, identificando quase sempre um oportunismo ou a necessidade de fama, aos que da política se aproximam.

As últimas crises em Portugal trouxeram uma certeza:  A classe política precisa de ser renovada, a forma de fazer política tem de ser diferente, a transparência tem de ser uma prioridade e o formato como se transmite a mensagem a este novo mundo tem que ser mais descomplicada, intuitiva e assertiva. Tudo isto conduziu a um aparecimento de novos partidos a nível nacional, novas figuras políticas e de novas estratégias umas mais liberais, outras mais radicais, outras mais monotemáticas.

Nas críticas da população é comum ouvir-se: “Isto é preciso gente NOVA, que se deixe destas politiquices!”. Tudo isto tem consequências. Desde logo para quem de novo entra. Combater o poder instalado na forma como faz política, desviar-se de todas as armadilhas, adaptar-se aos trocadilhos enganadores, discursar com a fluidez de quem tem que dizer as mesmas coisas de 55 formas diferentes, é decerto uma aventura.

Por outro lado, os “políticos de sempre” têm que reagir a discursos incómodos, estratégias de comunicação inovadoras, falar de temas que antes consideravam tabus, e ainda assim mostrar que o seu trabalho tem sempre uma valorização e que nem tudo é mau. A adaptação a estes novos tempos endurece o discurso e promove o alerta (longe de estar confirmado) às populações, de que a experiência é a maior das sabedorias.

As pessoas têm de escolher:  Querem arriscar nos que aparecem de novo, estando conscientes de que a inexperiência inicial tem falhas com nervos e algumas incorreções e precisam de tempoou preferem a segurança no discurso pesado, de números que ninguém entende, mas dá uma falsa consistência através de uma estratégia de exposição de ideias, cheias de “truques”???Quando a inexperiência deixar de ser argumento? O que virá a seguir?  As pessoas têm de escolher.

Beja Consegue.

Nuno Palma Ferro

Professor