A requalificação da Escola Secundária de Serpa está a transformar-se num novo campo de batalha política. Depois de garantido o financiamento para avançar com uma obra há muito reclamada, o Partido Socialista aponta diretamente o dedo à CDU e acusa os anteriores executivos de terem deixado escapar oportunidades que poderiam ter permitido recuperar a escola com um esforço financeiro muito menor para os cofres municipais.
Num comunicado marcado por duras críticas à anterior gestão autárquica, a Comissão Política Concelhia do PS de Serpa considera que a aprovação de 12 milhões de euros para a modernização e requalificação da Secundária representa uma vitória para o concelho e, simultaneamente, a demonstração de que seria possível encontrar uma solução para um problema que se arrastava há anos.
Os socialistas recuperam mesmo o histórico do processo para sustentar a acusação.
Segundo o PS, em 2020, quando a CDU governava a Câmara, a autarquia recusou assumir cerca de 260 mil euros, correspondentes a 7,5% do custo então previsto para a intervenção, defendendo que a responsabilidade financeira deveria caber ao Governo.
Dois anos depois, em 2022, chegou a ser aprovado um acordo com o Ministério da Educação para uma intervenção superior a 3,4 milhões de euros. O financiamento comunitário cobriria 85% do investimento e a participação municipal seria novamente de 7,5%, pouco mais de 250 mil euros. A obra, contudo, não avançou nesses moldes.
O processo conheceu depois novos capítulos.
Em 2024, o então executivo CDU anunciou uma requalificação avaliada em oito milhões de euros, que deveria ser integralmente financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência e estar concluída até junho de 2026.
Mas, segundo a cronologia apresentada pelos socialistas, em abril desse ano Serpa estava ainda na fase de adjudicação do projeto de execução e, em maio de 2025, o estudo prévio era apresentado à comunidade escolar sem uma data concreta para a candidatura, apontando-se então para a conclusão do processo apenas em 2028.
Com a chegada do PS à presidência da Câmara, em outubro de 2025, a Secundária foi assumida como uma das prioridades do novo mandato.
Em março deste ano foi apresentada uma candidatura ao Programa Escolas, prevendo um investimento global superior a 14,1 milhões de euros, destinado a uma comunidade de cerca de 410 alunos. A candidatura foi aprovada este mês.
É precisamente nas contas que o PS concentra uma das acusações mais pesadas.
Os socialistas defendem que a CDU poderia ter concretizado a requalificação com uma participação municipal na ordem dos 300 mil euros, enquanto, no atual modelo, a Câmara terá de suportar cerca de dois milhões de euros através do orçamento municipal.
Uma diferença que o PS apresenta como consequência direta das oportunidades perdidas durante os anteriores mandatos.
E para reforçar o ataque político, os socialistas colocam Serpa frente a frente com Castro Verde.
O comunicado recorda que a Secundária de Castro Verde também apresentava problemas de degradação e estava dependente dos mesmos mecanismos de financiamento. Nesse concelho, o executivo socialista assinou um protocolo com o Ministério da Educação em 2018, candidatou a intervenção ao Alentejo 2020 e consignou a empreitada em 2021.
A escola renovada acabaria por ser inaugurada em abril de 2024, depois de um investimento próximo dos cinco milhões de euros.
Para o PS de Serpa, a comparação demonstra aquilo que considera ter sido a verdadeira diferença entre os dois municípios: a opção política de quem governava.
O tom do comunicado não deixa margem para dúvidas. Os socialistas acusam os anteriores executivos comunistas de terem transformado a Secundária numa disputa entre Câmara e Governo e sustentam que a defesa de posições partidárias acabou por se sobrepor à procura de uma solução para alunos, professores, funcionários e famílias.
O PS aproveita agora a aprovação do financiamento para reivindicar o cumprimento de uma das principais promessas apresentadas aos eleitores nas últimas autárquicas e garante que a intervenção demonstra uma nova forma de encarar os problemas do concelho.
A obra ainda terá um longo caminho até estar concluída. Mas a batalha política já começou.
Depois de anos de avanços, recuos e projetos que ficaram pelo caminho, a Secundária de Serpa tem finalmente financiamento para avançar.
E o PS deixa uma acusação difícil de ignorar no debate político local: se a oportunidade tivesse sido aproveitada anteriormente, a Câmara poderia ter gasto cerca de 300 mil euros. Agora, segundo os socialistas, a fatura municipal poderá rondar os dois milhões.