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Um pedido de desculpas, fica bem.

Um pedido de desculpas, fica bem.

O processo das eleições legislativas que em 10 de março elegerá os deputados pelo Baixo
Alentejo marcará as conversas, as redes sociais e o debate político.
Será o culminar de um estado de espirito, mais uma vez, em que sentimos no horizonte dos
nossos olhos que vivemos numa região refém do nada, do nada que gera a incapacidade de
conseguir, de se afirmar, de se projectar para o futuro pelo impacto positivo das suas
potencialidades.
Tudo continua adiado, governo após governo, eleição após eleição, promessa atrás de
promessa. E as causas são conhecidas. Não são tratadas nem combatidas, mas são conhecidas:
não temos influência, não projetamos uma estratégia de desenvolvimento, não nos fazemos
ouvir, nem sabemos explicar o que queremos. E isso paga-se bem caro. Temo-lo pago muito
caro.
É justo e compreensível que nas conversas e debates que agora se alimentem surjam as
promessas por cumprir: o aeroporto, a autoestrada, o IP8, a segunda fase do hospital, a rede
ferroviária… é justo e compreensível porque há uma razão que assiste aos baixo alentejanos:
têm acreditado e têm confiado que alguém que lhes promete cumprirá, que o paradigma
mudará e o potencial de uma região que hoje tem pouca população e pouco conta em termos
eleitorais será potencialmente uma das mais pujantes e desenvolvidas do país.
Nestas eleições assistiremos à guerrilha das acusações fúteis entre PS, PSD E PCP, trocando
culpas por votos, fazendo promessas com as mesmas ilusões. E é essa retórica pobre e gasta
que alimenta o monstro da extrema direita, que a faz crescer nos ouvidos e no desespero dos
cidadãos. É a insuficiência da politica , com ação e compromisso, com a dignidade de quem
colocaria em primeiro lugar a região e só depois os seus próprios partidos que faz crescer o
protesto gratuito.
Essa força que cresce é perigosa, mas não é ilegítima, é um refúgio da esperança que se
esgota. É uma responsabilidade a que têm faltado os deputados do PS nos últimos 20 anos, os
do PCP e também os do PSD. Todos têm sido insuficientes… todos!
O que está em causa é a democracia, o principio do seu fim que vemos passar à nossa frente e
se teima em ignorar. O que ainda se pode mudar reside na relação de confiança com os
eleitores, não pelas promessas que não se cumprem mas pela palavra de um compromisso de
fazer, de lutar, de serem inconformados, de não se resignarem nos lugares e nos jogos
palacianos de poder, de se convencerem que são portadores de uma confiança absolutamente
inabalável, o orgulho dos baixo alentejanos na sua terra.
Não defendo que alguém vote no CHEGA, mas entendo que o faça. Quero acreditar que a
grande maioria ainda dará um voto de confiança aos partidos clássicos e que se preocupam
com a democracia e com o futuro.
Mas é preciso mais, muito mais do que os lugares dos candidatos, do que os egos internos dos
partidos políticos. É necessário que estes candidatos acreditem mais, em muito mais, e que
restabeleçam com os eleitores uma relação de verdade, começando, com humildade, com um
pedido de desculpas por tanto que têm falhado.
Um pedido de desculpas, fica bem.

escreve com o acordo ortográfico antigo

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