Vitor Sílva: To BREXIT or not to BREXIT

Na hora em que escrevo esta crónica, segue a novela do Brexit no parlamento britânico. Mas ao contrário das novelas que passam nas televisões e que não têm qualquer consequência na vida de quem a elas assiste, sendo apenas uma maneira de passar o tempo, a novela Brexit, seja qual for o seu desfecho, terá impactos significativos em todos os cidadãos da União Europeia, mas ainda mais naqueles que vivem no Reino Unido.

Quando há quase três anos os britânicos votaram pela permanência ou não na União Europeia fui daqueles que opinaram que a saída do Reino Unido da União seria má para todos e não mudei de opinião. Quem pensou diferente foi a maioria dos votantes naquele referendo.

E desde essa data se têm negociado os termos da saída. Mas agora que tudo estava pronto para o divórcio é que começaram os grandes problemas. Mas não por parte dos países deste lado do Canal da Mancha, mas sim do lado de lá, mais concretamente no parlamento do lado de lá. Há uma minoria que não quer sair, mas na grande maioria que quer o Brexit as razões não são as mesmas. Uns querem sair mesmo sem acordo e outros querem sair, mas com um acordo que não é o mesmo que o seu governo negociou. Não dizem qual é o acordo que querem, mas dá para perceber que gostariam de sair mantendo todos os direitos que os países da União Europeia têm, mas sem os respectivos deveres. Até aqui os responsáveis da União não têm cedido relativamente ao acordado e na minha opinião têm estado bem.

Mas esta situação não pode manter-se eternamente. O arrastar do processo já cansa os cidadãos dum lado e do outro do Canal, com as consequências que isso tem para a credibilidade das diferentes instituições e da própria democracia. Os britânicos votaram pela saída, então sejam consequentes e saiam o mais depressa possível. Caso contrário ainda teremos que fazer um referendo aos restantes cidadãos europeus a perguntar se querem cá os súbditos britânicos de Sua Majestade a Rainha Isabel II. E no ponto em que as coisas estão, desconfio que eles iriam votar byebye, que é como quem diz, “adeus”.