Partido Socialista responsabiliza décadas de governação comunista pelos problemas atuais da instituição e acusa oposição de “propaganda” e “bloqueio ideológico” num momento em que estão em risco postos de trabalho e serviços essenciais
A Concelhia de Serpa do Partido Socialista lançou esta segunda-feira, 3 de agosto, um comunicado contundente contra o PCP, acusando o partido de fazer “memória seletiva” a propósito da grave situação que atravessa a Santa Casa da Misericórdia de Serpa, instituição onde estão em jogo postos de trabalho, serviços essenciais à população e a própria sustentabilidade da entidade.
Na resposta a um comunicado anterior dos comunistas sobre o mesmo tema, o PS acusa o PCP de tentar transformar “uma matéria tão sensível” num “instrumento de combate político”, enquanto reivindica para si e para a Câmara Municipal uma postura de “diálogo” e “pragmatismo”, pautada pelo respeito pela autonomia da Santa Casa.
Quase 50 anos de poder colocados em causa
O comunicado socialista não poupa críticas ao histórico do PCP à frente dos destinos do concelho. Segundo o PS, foi precisamente sob governação comunista, que se prolongou por cerca de cinco décadas na Câmara Municipal, que a gestão do Hospital de Serpa passou para Beja, e foi também nessa altura que essa gestão acabou entregue à Santa Casa da Misericórdia.
Os socialistas acusam ainda o PCP de, ao longo desses anos, ter optado sistematicamente pela “contestação em vez da construção de soluções”, recorrendo, dizem, a “movimentos e estruturas apresentadas como independentes” mas alinhadas com a sua agenda política, resultando, segundo o PS, “mais protesto do que soluções concretas”.
“Se a Câmara não resolve, é porque não quer”
O tom do comunicado torna-se particularmente incisivo quando descreve a postura atual do PCP, já na oposição. De acordo com o PS, o discurso comunista inverteu-se por completo: as limitações legais do município, antes invocadas como justificação, “desapareceram subitamente” do discurso do partido, que agora atribuiria à Câmara toda a responsabilidade pelos problemas.
“Se a Câmara não resolve de imediato, é porque não quer. Se promove reuniões com quem pode ajudar a resolver os problemas, são inúteis. Se respeita a autonomia das instituições, é acusada de inação”, lê-se no comunicado, que remata: “Isto não é coerência política. É memória seletiva e recusa em assumir responsabilidades.”
Escola Secundária como exemplo do “mesmo guião”
Para sustentar a acusação, o PS invoca ainda o caso da requalificação da Escola Secundária de Serpa, processo que se arrastou durante anos entre comunicados, manifestações e moções, sem que, segundo os socialistas, os resultados concretos surgissem. Hoje, argumenta o PS, o PCP repetiria “a mesma receita” também no dossiê da Santa Casa: “procura culpados, rejeita soluções que não correspondem à sua visão ideológica e mantém uma lógica de confronto permanente.”
PS promete continuar a “apoiar” a Câmara e pede fim da “propaganda”
Em jeito de conclusão, o Partido Socialista reitera o compromisso de continuar a apoiar a Câmara Municipal na defesa dos interesses do concelho, sempre respeitando a autonomia da Santa Casa, e apela a que a instituição, os trabalhadores e a população deixem de ser reféns do braço-de-ferro político.
“Serpa precisa de soluções e de quem esteja disponível para as construir. Não de propaganda, críticas permanentes e bloqueios ideológicos que impedem o concelho de avançar”, conclui o comunicado, assinado pela Concelhia de Serpa do PS.








