A crise política instalada na Câmara Municipal de Beja entrou numa nova fase. Tal como a Rádio Pax avançou em exclusivo na passada quarta-feira, Liliana Cabecinha, atual vice-presidente da autarquia e número dois da coligação Beja Consegue, decidiu suspender o mandato.
A decisão foi comunicada ontem à noite, durante uma reunião do Movimento Beja Consegue, que contou também com a presença de alguns elementos da estrutura local do PSD. O encontro, que assumiu particular importância face à crise política instalada no executivo municipal, prolongou-se durante várias horas e terminou já perto da meia-noite.
Segundo fonte que esteve presente na reunião, ouvida pela Rádio Pax, o ambiente no interior da sala foi marcado por uma forte tensão, com posições claramente divididas entre os elementos que se mantêm próximos de Liliana Cabecinha e aqueles que apoiam o presidente da Câmara, Nuno Palma Ferro. Foi neste contexto de crescente confronto interno que a vice-presidente tomou a palavra e comunicou aos presentes a decisão de suspender o mandato. A mesma fonte descreve um ambiente particularmente pesado, com as divergências entre as diferentes sensibilidades do Beja Consegue a tornarem-se cada vez mais evidentes ao longo da reunião.
A saída de Liliana Cabecinha deverá provocar uma alteração imediata na composição do executivo. De acordo com informação recolhida pela Rádio Pax junto da mesma fonte, ficou definida a indicação de João Brás da Silva para assumir a vice-presidência da Câmara de Beja.
O terceiro elemento da lista do Beja Consegue é técnico superior de diagnóstico e terapêutica no Hospital de Beja e deverá passar a ocupar o segundo lugar na hierarquia do executivo liderado por Nuno Palma Ferro.
A substituição surge depois de meses marcados por divergências internas e por uma relação cada vez mais difícil entre a presidente e a vice-presidente da autarquia. A escolha de Liliana Cabecinha para o cargo tinha partido de Nuno Palma Ferro, mas, segundo fontes próximas do processo, a nomeação nunca foi consensual no interior do projeto político que conquistou a Câmara de Beja.
As divergências terão aumentado com o passar dos meses, sobretudo devido a diferenças de entendimento sobre o funcionamento do executivo, o papel de alguns assessores e a influência de elementos politicamente próximos do PCP que integram ou rodeiam a estrutura autárquica.
É precisamente neste contexto que a relação entre Palma Ferro e Liliana Cabecinha se terá deteriorado ao ponto de se tornar praticamente insustentável.
Segundo fonte próxima da estrutura autárquica, Liliana Cabecinha já teria anteriormente manifestado ao presidente a intenção de abandonar o cargo. Nessa altura, Nuno Palma Ferro concordou, porém, a saída não avançou,
Outro dos fatores apontados para o agravamento das tensões internas terá sido a crescente projeção política de Vítor Picado, eleito pelo PCP e elemento com peso na atual configuração do executivo municipal.
A visibilidade pública alcançada pelo vereador comunista terá contribuído para acentuar as diferenças entre Liliana e Palma Ferro.
Para já, a suspensão do mandato de Liliana Cabecinha deverá ser formalizada nos termos legais e a entrada de João Brás da Silva na vice-presidência terá de seguir os procedimentos institucionais previstos.
A Rádio Pax continuará a acompanhar este caso, que poderá representar uma das maiores mudanças políticas no executivo municipal de Beja desde o início do atual mandato.
João Brás da Silva, terceiro elemento da lista do Beja Consegue, será o próximo vice-presidente da Câmara de Beja.