A crise política instalada na Câmara Municipal de Beja está a provocar novas reações. O Chega exige esclarecimentos ao presidente Nuno Palma Ferro sobre a suspensão do mandato da vice-presidente Liliana Cabecinha e quer saber qual é, afinal, o peso do PCP na atual solução de governação municipal.
Num comunicado divulgado pelo partido, António Carneiro, deputado à Assembleia da República, considera que a saída da número dois da coligação Beja Consegue não pode ser encarada apenas como uma mudança de vereadores. Para o Chega, o afastamento de Liliana Cabecinha, poucos meses depois das eleições autárquicas, levanta questões políticas que devem ser esclarecidas perante os eleitores.
O partido diz não querer transformar rumores em factos nem fazer julgamentos pessoais, mas coloca várias questões à liderança da autarquia. Entre elas, pretende saber o que esteve na origem das divergências entre Nuno Palma Ferro e Liliana Cabecinha, qual é o verdadeiro alcance do entendimento entre PSD, CDS, IL e PCP e que compromissos terão sido estabelecidos para garantir a estabilidade do executivo.
A principal interrogação deixada pelo Chega é direta: quem governa realmente a Câmara Municipal de Beja?
A força política considera que os eleitores votaram num projeto apresentado pela coligação Beja Consegue e têm direito a conhecer os contornos da solução política atualmente em vigor. O partido defende que uma eventual substituição de Liliana Cabecinha não esclarece as razões que conduziram à suspensão do mandato.
O Chega sustenta ainda que, se a decisão tiver razões exclusivamente pessoais, isso deve ser explicado. Caso existam divergências políticas, entende que estas também devem ser conhecidas publicamente. E se a situação estiver relacionada com o entendimento entre a maioria que venceu as eleições e o PCP, o partido considera que o presidente da Câmara deve prestar esclarecimentos aos munícipes.
António Carneiro garante que o Chega pretende manter uma oposição “responsável, firme e independente” e rejeita que a sua intervenção esteja relacionada com disputas internas ou distribuição de cargos.
O partido acusa ainda a atual situação de alimentar dúvidas sobre a estabilidade do executivo e defende que Beja precisa de uma Câmara concentrada nos problemas do concelho, e não em conflitos políticos internos.
A posição do Chega surge num momento de crescente tensão dentro da maioria municipal, depois de Liliana Cabecinha ter anunciado a suspensão do mandato. A crise abre agora uma nova frente de contestação política e coloca sob pressão o presidente Nuno Palma Ferro, a quem o Chega exige respostas públicas sobre o funcionamento e os equilíbrios da atual governação municipal.