Três mil anos depois, novos vestígios de uma comunidade da Idade do Bronze estão a voltar à luz do dia às portas de Beja. Após cinco anos de interrupção, os arqueólogos regressaram ao Outeiro do Circo e a primeira campanha do novo projeto de investigação já trouxe novos achados e mais pistas sobre um dos grandes povoados fortificados da região.
Os trabalhos terminaram a 11 de setembro e concentraram-se numa zona anteriormente intervencionada, agora alargada para permitir aos investigadores perceber melhor como foi construída a muralha e de que forma esta se relacionava com outras estruturas existentes no interior do povoado.
Nesta primeira fase foi necessário retirar sobretudo terras associadas às utilizações agrícolas mais recentes do terreno.
Os arqueólogos conseguiram, no entanto, começar a chegar aos níveis relacionados com o abandono do Outeiro do Circo, ocorrido no final da Idade do Bronze, há aproximadamente três mil anos.
E os primeiros vestígios já apareceram.
Foi recolhida uma quantidade significativa de cerâmica e identificados alguns objetos que levantam novas questões aos investigadores. Entre eles está um polidor em cerâmica, cuja utilização concreta terá ainda de ser estudada.
Surgiram também elementos de pedra associados à agricultura, conhecidos como elementos de foice, artefactos que já tinham sido encontrados com alguma frequência neste sítio arqueológico.
O regresso das escavações não ficou limitado ao trabalho no terreno. O projeto recuperou também as visitas aos trabalhos, promoveu encontros informais com a população e desenvolveu novas ações de colaboração e divulgação.
Uma das iniciativas trouxe a Beja Johan Ling, professor da Universidade de Gotemburgo e especialista na Idade do Bronze, para uma conferência organizada em parceria com o Museu Rainha Dona Leonor sobre as ligações existentes, naquela época, entre a Península Ibérica e a Escandinávia.
O novo Projeto Outeiro do Circo é coordenado por Nelson J. Almeida, da Universidade de Évora, desenvolvido pela cooperativa O Legado da Terra, com financiamento da Câmara Municipal de Beja e apoio do Museu Rainha Dona Leonor.