É um retrato preocupante da educação no Alentejo. A região apresenta os resultados médios mais baixos do país nas principais áreas avaliadas pelo PISA 2025, ficando atrás da média nacional na leitura, matemática, ciências e competências digitais.
Os números constam do Relatório Nacional divulgado pelo Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação e mostram diferenças que, em algumas áreas, ultrapassam os 30 pontos.
A situação mais expressiva surge na Leitura.
Os jovens de 15 anos avaliados no Alentejo conseguiram uma média de apenas 427 pontos, quando o resultado nacional chegou aos 462.
São 35 pontos de diferença e, neste caso, o relatório considera que o afastamento relativamente à média portuguesa é estatisticamente significativo.
O contraste é ainda maior quando se compara o Alentejo com a região Centro, que lidera neste domínio com 477 pontos. Entre as duas regiões existe uma distância de 50 pontos.
A Matemática confirma o cenário.
O Alentejo volta a aparecer na última posição, com 428 pontos, contra os 460 registados a nível nacional. A Península de Setúbal, com 430 pontos, e os Açores, com 440, surgem imediatamente acima.
Também nas Ciências os alunos alentejanos apresentam o resultado médio mais baixo entre as regiões analisadas.
O Alentejo conseguiu 448 pontos, menos 34 do que a média nacional, fixada nos 482.
Nas Ciências do Ambiente, avaliadas pela primeira vez neste ciclo do PISA, o cenário praticamente não muda: 448 pontos no Alentejo contra 481 no conjunto do país.
Mas as dificuldades não ficam pelas disciplinas tradicionalmente associadas à escola.
O PISA 2025 avaliou também a capacidade dos jovens para aprender e resolver problemas num mundo cada vez mais digital.
E, novamente, o Alentejo surge na última posição.
Na resolução computacional de problemas, os alunos da região obtiveram 472 pontos. A média portuguesa chegou aos 501.
São 29 pontos de diferença, considerados estatisticamente significativos.
Na programação, o Alentejo registou 476 pontos e, na modelação, ficou pelos 468.
Os números traçam, assim, um padrão difícil de ignorar: independentemente da área analisada, o Alentejo aparece sistematicamente na cauda da classificação regional.
Leitura, matemática, ciências, ambiente ou competências digitais. Em todos estes indicadores, os resultados médios dos alunos alentejanos ficam abaixo dos valores nacionais.
O estudo deve, contudo, ser interpretado tendo em conta a dimensão da amostra.
No Alentejo foram avaliados 307 alunos de 10 escolas, enquanto, no conjunto do país, participaram 6.945 estudantes de 225 estabelecimentos de ensino.
O PISA avalia conhecimentos e competências de jovens de 15 anos e permite comparar o desempenho dos sistemas educativos em diferentes áreas.
Nesta edição, as Ciências assumiram particular destaque e foram acrescentadas componentes relacionadas com as Ciências do Ambiente e com a aprendizagem no mundo digital.
Para o Alentejo, os resultados deixam um sinal de alerta.
Mais do que uma classificação, os dados colocam questões sobre as desigualdades territoriais no acesso à educação, sobre os recursos disponíveis nas escolas do interior e sobre a capacidade de proporcionar aos jovens da região condições que lhes permitam competir em igualdade com estudantes de outras zonas do país.
O Alentejo fica no último lugar em todas as grandes áreas analisadas. E a maior distância surge precisamente numa competência fundamental: ler e compreender.