Javalis transformam-se em ameaça nas estradas: Governo prepara pagamento por cada animal abatido

Javalis transformam-se em ameaça nas estradas: Governo prepara pagamento por cada animal abatido

Dos campos agrícolas às estradas, o crescimento da população de javalis está a transformar-se num problema cada vez mais difícil de ignorar. O Governo reconhece que existem animais a mais em algumas zonas do país e prepara uma solução polémica: pagar por cada javali abatido.

O projeto-piloto foi anunciado pelo ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, e deverá ser aplicado nas regiões onde for identificada uma maior concentração destes animais.

O princípio é simples: recorrer à caça para diminuir a população e atribuir uma compensação financeira por cada exemplar abatido.

O valor a pagar, as regiões abrangidas e as regras de acesso ao incentivo ainda não foram divulgados.

A medida surge perante um problema que ultrapassa há muito os prejuízos provocados nas explorações agrícolas.

Culturas destruídas, terrenos revolvidos e perdas para os agricultores são algumas das consequências da presença excessiva da espécie. Mas existe outra ameaça potencialmente muito mais perigosa: os javalis atravessam estradas e podem colocar condutores e passageiros perante obstáculos de centenas de quilos que surgem inesperadamente na faixa de rodagem.

E o Baixo Alentejo conhece bem esse risco.

No passado dia 26 de agosto, um homem morreu num acidente na Estrada Nacional 387, entre Peroguarda e Faro do Alentejo, no concelho de Cuba.

A viatura em que seguia com o filho embateu num javali, despistou-se e incendiou-se. O acidente voltou a colocar no centro das atenções o perigo representado pela presença destes animais nas estradas da região.

Não se trata, porém, de um fenómeno isolado.

Dados anteriormente recolhidos junto da GNR revelaram que, só na área do distrito de Beja, tinham sido contabilizados 34 acidentes rodoviários envolvendo javalis entre janeiro e 20 de agosto de 2023. No conjunto desse ano foram registadas dezenas de ocorrências.

E os números poderão não traduzir toda a dimensão do fenómeno, uma vez que nem todas as colisões, sobretudo aquelas em que existem apenas danos materiais, chegam necessariamente ao conhecimento das autoridades.

Um estudo realizado a partir de informação da GNR contabilizou 1.306 acidentes rodoviários com javalis, veados e corços em Portugal durante 2019 e 2020.

O javali destacou-se claramente das restantes espécies: esteve envolvido em 83,7% dessas ocorrências.

A própria Infraestruturas de Portugal acompanha o fenómeno através do programa de monitorização da mortalidade de fauna nas estradas e identifica os acidentes com ungulados, onde se incluem javalis e cervídeos, como situações de risco acrescido para a segurança rodoviária.

O problema ganha especial importância em territórios rurais como o Alentejo, onde muitas estradas atravessam extensas zonas agrícolas, florestais e de mato e onde o aparecimento repentino de animais de grande porte pode deixar pouco tempo de reação aos automobilistas.

A dimensão da população de javalis já levou também o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas a adotar medidas para facilitar o seu controlo.

O ICNF reconheceu anteriormente que a população da espécie em Portugal Continental se encontrava acima da capacidade de suporte do meio e autorizou a caça ao javali em determinadas zonas de caça turística de menor dimensão, precisamente para contribuir para a redução da população, dos prejuízos agrícolas e do risco de acidentes rodoviários.

É neste contexto que surge agora a intenção do Governo de avançar mais um passo e colocar dinheiro em cima da mesa.

José Manuel Fernandes admite claramente que Portugal tem “javalis a mais” em algumas regiões e entende que a caça pode ser utilizada como instrumento de gestão da população.

O ministro aponta, contudo, outro problema: há menos caçadores disponíveis para fazer esse controlo.

O Executivo pretende, por isso, experimentar um incentivo económico que torne mais atrativo o abate nas áreas onde a densidade da espécie seja considerada excessiva.

A medida levanta, no entanto, várias questões que continuam sem resposta.

Não se sabe quanto será pago por animal, quem poderá receber a compensação, como será comprovado cada abate, quais serão os limites definidos nem que regiões entrarão na primeira fase do projeto.

Também será necessário garantir que uma medida destinada a controlar a população seja acompanhada por critérios técnicos e científicos que permitam determinar onde existe efetivamente excesso de animais e qual o número adequado de exemplares a retirar.

O Governo pretende começar com um projeto-piloto e avaliar os resultados antes de decidir sobre um eventual alargamento.

Para regiões como o Alentejo, a discussão está longe de ser apenas cinegética.

Está em causa a proteção das culturas e dos rendimentos dos agricultores, mas também uma questão de segurança rodoviária.

O recente acidente mortal no concelho de Cuba mostrou da forma mais dramática aquilo que pode acontecer quando um javali aparece inesperadamente à frente de um automóvel.

Agora, perante uma população que o próprio Governo considera excessiva, a estratégia passa pela caça e por um incentivo financeiro.

Portugal prepara-se, assim, para pagar por javalis abatidos numa tentativa de controlar um problema que já não fica apenas dentro das herdades: também anda pelas estradas e, em casos extremos, pode custar vidas.

PUB

PUB

PUB

Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Farmácia de serviço hoje na cidade de Beja

Publicidade

Mais Lidas

1
Ourique
Incêndio fatal em Ourique: homem perde a vida aos 62 Anos
3
Ressonância
Hospital de Beja: A espera terminou, Ressonância Magnética chegou
4
Bombeiros
Polémica nos Bombeiros de Beja: Lista rejeitada responde a comunicado da direção 
Semana com ameaças, agressões e roubos em Beja
Devemos acarinhar os eleitores do Chega? Não! Não podemos
7
25 de Abril
50 anos de Abril: Catarina Eufémia, um símbolo da luta antifascista
8
Odemira
Alunas de Odemira brilham em competição de ciência em Itália
Agricultores que cortaram estrada em Serpa identificados pelas autoridades

Recomendado para si

11/10/2026
Arranjo de estradas e caminhos em Moura
11/10/2026
Quatro & Meia e Polo Norte na Feira dos Santos de Alvito
Foto: CM Vidigueira
Vidigueira
11/10/2026
ABERTURA de TALHA 2026: Vidigueira dá a provar o vinho novo
Alqueva
10/10/2026
Vinhos do Alentejo e música no Alqueva Sunset
Vidigueira
10/10/2026
Trilho do Vinho de Talha dá a conhecer Vila de Frades
10/10/2026
Sábado marcado pelas cerimónias fúnebres de D. António Vitalino
09/10/2026
Diocese de Beja de luto: sacerdotes recordam D. António Vitalino como um bispo próximo das pessoas
Vidigueira
09/10/2026
Segredos milenares do vinho de talha revelados em novo livro apresentado na Vidigueira