Beja tem história, património, gastronomia e identidade. Tem praticamente tudo para ser um destino turístico de referência, mas continua sem conseguir transformar esse potencial em verdadeira capacidade de atração. O alerta parte de José Jorge Anes, deputado da Assembleia Municipal de Beja e membro do Secretariado da Concelhia do Partido Socialista.
Num artigo de opinião enviado à comunicação social, o socialista fala num verdadeiro “paradoxo de Beja” e deixa críticas à forma como o concelho tem acompanhado a evolução do turismo.
José Jorge Anes considera que, enquanto Portugal e o Alentejo procuram reforçar a sua posição turística, Beja perde tração, continua demasiado dependente da sazonalidade e demora a criar uma estratégia capaz de colocar diferentes entidades a trabalhar em rede.
No centro das críticas está também o aproveitamento do património. O socialista aponta a demora na reabilitação do centro histórico, dificuldades em aumentar as dormidas e uma incapacidade para transformar infraestruturas existentes em motores de atração de visitantes.
E deixa um aviso: o turista está a mudar e Beja não pode continuar a promover-se como se o mundo digital não tivesse transformado a forma de escolher destinos.
A Inteligência Artificial entra, por isso, diretamente na discussão. José Jorge Anes defende uma estratégia turística mais tecnológica, capaz de utilizar dados e novas ferramentas digitais para promover Beja, personalizar a experiência dos visitantes e tornar o destino mais competitivo.
A mensagem política sobe então de tom. Para o dirigente socialista, “não basta gerir o património de forma analógica” e Beja não pode ficar para trás por aquilo que classifica como falta de arrojo, burocracia ou “infoexclusão estratégica”.
No fundo, José Jorge Anes coloca uma pergunta incómoda sobre o futuro do turismo na capital do Baixo Alentejo: de que serve Beja ter um património de enorme valor se não conseguir transformá-lo em visitantes, dormidas e desenvolvimento económico?
E termina com um aviso: ou Beja “digitaliza a sua ambição” e acompanha a transformação do turismo, ou, na opinião do socialista, corre o risco de transformar um atraso conjuntural num problema crónico.