A propósito do primeiro ano de mandato de Nuno Palma Ferro à frente da Câmara Municipal de Beja, assinalado no passado dia 12 de outubro, a Rádio Pax enviou, a 21 de setembro, um conjunto de perguntas ao autarca, procurando fazer um balanço dos primeiros doze meses de governação e esclarecer algumas das questões que têm marcado a atualidade política do concelho.
A Rádio Pax procurou saber que avaliação faz o presidente da Câmara deste primeiro ano de mandato, depois da vitória eleitoral da coligação Beja Consegue, que pôs fim à governação socialista no município.
No plano das promessas eleitorais, a Rádio Pax quis perceber quais os compromissos já concretizados e aqueles que continuam por cumprir, nomeadamente nas áreas das acessibilidades, desenvolvimento económico, limpeza urbana, imigração e dinamização cultural e desportiva.
A estabilidade política do executivo foi outra das questões colocadas. Sem maioria absoluta, a coligação que lidera a autarquia tem contado com o entendimento com a CDU. A Rádio Pax procurou perceber como tem funcionado esta relação na prática e de que forma o presidente avalia a convivência política com a oposição, em particular com o Partido Socialista, depois da recusa do convite dirigido à vereadora Maria João Ganhão para assumir funções a tempo inteiro.
A recente suspensão de mandato da vice-presidente Liliana Cabecinha mereceu também especial atenção. A Rádio Pax questionou Nuno Palma Ferro sobre os motivos concretos desta decisão, as alegadas divergências políticas entre ambos, a possibilidade de regresso da autarca às funções em janeiro de 2027 e as eventuais consequências deste episódio para a estabilidade do executivo e para o entendimento com a CDU.
Por último, a Rádio Pax procurou conhecer as prioridades que Nuno Palma Ferro estabelece para o segundo ano de mandato e os principais desafios que se colocam à governação municipal.
A Rádio Pax apresenta, na íntegra, a entrevista ao presidente da Câmara Municipal de Beja, Nuno Palma Ferro, no âmbito do balanço do primeiro ano de mandato:
Um ano depois de ter tirado a Câmara de Beja ao PS, que balanço faz deste primeiro ano de mandato?
Não considero que tenha tirado nada a ninguém. Houve um ato democrático em que o Beja Consegue foi a lista mais votada e por isso, tem direito a estar no executivo. E depois não fui “eu”. Somos um conjunto de pessoas. Sempre fomos. E continuaremos sempre a ser. Pessoas que querem o melhor para Beja e aproveitar o melhor que Beja tem.
Diria que o ano foi fantástico. Seja na forma como fomos recebidos, seja na facilidade na adaptação, seja na criação de projetos transformadores para uma visão de futuro em Beja. Sente-se que Beja está diferente, no seu dinamismo, na forma como as pessoas usam a cidade, e na forma como parceiros, investidores e o próprio Governo olha para Beja. Fazer isto num ano, tem sido um enorme desafio, bem-sucedido.
Das propostas de campanha: acessibilidades, desenvolvimento económico, limpeza urbana, imigração e uma política cultural e desportiva mais abertas, quais considera já cumpridas e quais ficaram por concretizar?
Se reler o nosso programa, ele estava estruturado em diferentes ambições, umas que dependem do executivo e outras em que o executivo tem um papel mais de gestão, nomeadamente com o Governo. Estou muito confortável em ir ponto a ponto.
Acessibilidades: temos uma relação boa com o Ministério das Infraestruturas, com quem mantemos contacto regular. O ministro Miguel Pinto Luz conhece perfeitamente a situação e deu o seu comprometimento pessoal no tema da A26. Os membros do governo já me chamam “chato” entre eles, mas isso é bom.
A imigração é outro tema que não depende de nós, sempre o dissemos. O Governo tem tomado algumas medidas. Claro que há situações que continuamos a acompanhar, mas eu diria que o problema já foi mais grave (por agora).
No desenvolvimento económico é notável a quantidade de empresas que tem procurado Beja para crescer e uma parte muito relevante do nosso esforço tem sido aqui colocado.
Limpeza Urbana, aqui, e com contestação de outras forças políticas, fizemos o que acreditamos ser a única solução viável. Aumentámos o contrato, aumentámos o nível de serviço e esperamos com isto melhorar a situação.
Política cultural e desportiva: a imensidão de eventos que tem estado em Beja no último ano foi notável. No Estádio Flávio dos Santos fizemos uma noite de 25 de abril, com um evento extraordinário onde apresentámos um novo projeto que lançámos. No Castelo temos tido inúmeras iniciativas, desde festas mais direcionadas para jovens, até a eventos como a Casa de Amália (que finalmente foi em Beja), até a eventos relacionados com o setor vinícola, onde Beja é a Capital Europeia do Vinho em 2026, com isso a dar-nos uma enorme visibilidade. Também conseguimos meter em prática o Beja na Rua, medida preconizada no nosso programa eleitoral.
No setor desportivo, destaco o regresso da Volta a Portugal a Bicicleta a Beja. Sendo que temos feito uma série de apostas como o Skate Park – que foi uma proposta do Beja Consegue, sendo o projeto desenvolvido pelo anterior executivo-, que valorizam não só o desporto como a prática desportiva.
A coligação não obteve maioria absoluta. Como tem sido, na prática, a relação de governação com a CDU, que garante a estabilidade do executivo?
A relação que temos tido é com o vereador da câmara Municipal de Beja, Vítor Picado. Seria de enorme desonestidade afirmar o contrário: a relação tem sido muito boa. O vereador tem feito um ótimo trabalho e gere os seus pelouros, sempre com a minha supervisão e aval. Temos trabalhado muito bem enquanto executivo. E partimos de um pressuposto muito fácil: queremos os dois a mesma coisa. O melhor para Beja. Para mim, e acredito para o Vítor, Beja está em primeiro lugar.
Como avalia a relação com a oposição, nomeadamente com o PS, depois de o partido ter recusado o convite para que Maria João Ganhão assumisse uma vereação a tempo inteiro?
A relação tem sido positiva. Há dias que discordam mais, há dias que discordam menos. Reforço a ideia: as coisas têm tudo para ser simples, quando colocamos o concelho em primeiro lugar.
A vice-presidente Liliana Cabecinha suspendeu recentemente o mandato até 10 de janeiro de 2027. Pode explicar aos bejenses quais foram, em concreto, os motivos desta suspensão?
Muito sinceramente, estranho a pergunta, pelo menos o seu timing. Curioso, que este tenha sido o meio de comunicação que liderou a propagação de informação sobre o tema e só passado este número de semanas fez a pergunta. As razões foram explicadas. A vereadora Liliana suspendeu o mandato e até lá, o Dr. João Brás da Silva que já era o meu chefe de gabinete, por ser o nº3 da lista, assume a vereação.
Há quem fale de divergências políticas de longa data entre o senhor presidente e a vice-presidente, agravadas após as eleições. Essa versão corresponde à realidade?
O que me está a dizer é que eu tenho divergências políticas de “longa data” com a pessoa que era a nº2 da lista do Beja Consegue, na lista de outubro de 2025? Eu e a Dra. Liliana Cabecinha somos da mesma terra, participámos no desenvolvimento do projeto Beja Consegue e até somos do mesmo partido. A Dra. Liliana vai continuar a defender Beja e eu agradeço-lhe o trabalho desenvolvido.
Está garantido o regresso de Liliana Cabecinha às funções de vice-presidente a 10 de janeiro, ou este cenário está em aberto?
Reforço a ideia de que o pedido de suspensão é de carácter individual. A Dra. Liliana submeteu esse pedido e dado o seu carácter não será correto ser eu a responder. O que está feito é um pedido de suspensão de 4 meses.
Este episódio compromete, de alguma forma, a estabilidade do executivo e o entendimento com a CDU?
Penso que uma coisa não tem nada a ver com a outra. O executivo está estável. O vereador Vitor Picado tem feito parte dele e tem contribuído para a sua estabilidade, o que valoriza Beja.
Que prioridades define para o segundo ano de mandato?
A prioridade será sempre Beja e os bejenses. Temos em marcha muitos projetos e medidas que, cada qual com a sua área e intensidade, irão contribuir para melhorar o concelho de Beja, a vida dos seus cidadãos e empresas. Temos muita confiança nas nossas ideias, nos nossos valores e na capacidade da nossa equipa (na qual incluo, obviamente, os milhares de trabalhadores da Câmara Municipal de Beja, bem como as empresas e associações parceiras) para, com muito trabalho e empenho, mudarmos Beja.