O deputado socialista eleito por Beja acusa o Governo de falhar compromissos com o Baixo Alentejo, denuncia mais de dois anos sem avanços na ampliação do Hospital de Beja e exige garantias de financiamento para as grandes obras do distrito. Em entrevista à Rádio Pax, depois do debate parlamentar sobre o Orçamento do Estado para 2027, Pedro do Carmo considera que o documento fica aquém das necessidades da região e deixa duras críticas à atuação da AD.
O parlamentar justifica a abstenção da bancada socialista com a necessidade de garantir a estabilidade política, mas recusa que isso signifique apoio ao Executivo. “O Partido Socialista colocou o país acima dos interesses partidários, evitando uma nova crise política. Mas este é um Orçamento insuficiente, que não responde às necessidades do país, particularmente na saúde, na habitação e nos serviços públicos. A nossa abstenção não é um cheque em branco ao Governo”, afirma. Entre as exigências do PS estão a proteção das pensões e fontes alternativas de financiamento para os investimentos previstos no Plano de Recuperação e Resiliência. O deputado promete uma oposição exigente, que fiscalize a governação e reclame o cumprimento das promessas, e defende que a estabilidade não pode servir de pretexto para adiar investimentos essenciais ao Baixo Alentejo.
É no Hospital de Beja que concentra uma das críticas mais duras. Lembra que a ampliação foi decidida pelo anterior Governo socialista, em dezembro de 2023, e acusa o atual Executivo de não ter conseguido sequer lançar o concurso para o projeto de arquitetura. “Passaram mais de dois anos de Governo da AD e nem sequer foi lançado o concurso para o projeto de arquitetura da ampliação do Hospital de Beja. Estamos a falar de um investimento decidido pelo anterior Governo socialista, em dezembro de 2023, que continua preso a sucessivos anúncios e promessas sem concretização”, critica. Para Pedro do Carmo, a proposta orçamental continua sem esclarecer o financiamento e o calendário. “O hospital não pode continuar à espera”, afirma o deputado. “É necessário lançar imediatamente o concurso para o projeto de arquitetura, assegurar o financiamento da obra e apresentar um calendário claro. O Orçamento do Estado para 2027 não oferece as garantias que consideramos indispensáveis”, sustenta.
As acessibilidades são outra das preocupações. O deputado lamenta que a modernização da linha entre Casa Branca e Beja tenha sido sucessivamente adiada e que as obras só estejam previstas para o segundo semestre de 2027, e quer ir mais longe, com a reabertura e a modernização da ligação entre Beja e a Funcheira. “A modernização da ligação Casa Branca / Beja continua a sofrer atrasos e as obras estão agora previstas apenas para o segundo semestre de 2027. Não podemos continuar a aceitar que investimentos fundamentais sejam sucessivamente adiados. É igualmente necessário assumir a reabertura e modernização da ligação ferroviária entre Beja e a Funcheira”, defende o parlamentar.
Na rede rodoviária, reconhece os investimentos no IP8, mas lembra que foram iniciados pelo anterior Governo do PS. Quanto à ligação de Beja à A2, diz que “continuam a existir dúvidas sobre o financiamento e os calendários”. E avisa: “O distrito precisa de compromissos concretos, com verbas asseguradas e prazos definidos.”
A falta de casas é, para o deputado, um dos maiores obstáculos à fixação de população, sobretudo de jovens e famílias. Defende uma intervenção conjunta do Estado, dos municípios e dos privados, e quer estímulos à construção e à reabilitação, com rendas compatíveis com os rendimentos. “O distrito de Beja enfrenta uma enorme dificuldade no acesso à habitação. Faltam casas disponíveis e a preços acessíveis, o que impede muitos jovens e famílias de se fixarem na região. Os municípios têm um papel fundamental na criação de habitação pública, mas precisam de novos apoios do Estado que não podem ficar limitados ao PRR”, afirma.
Na água e na agricultura, Pedro do Carmo reclama a ligação entre Alqueva e a barragem do Monte da Rocha e avanços no perímetro de rega de Moura. “É fundamental concretizar a ligação Alqueva / Monte da Rocha e avançar com o perímetro de rega de Moura. Estamos a falar de investimentos essenciais para garantir água, apoiar os agricultores e criar melhores condições para o desenvolvimento económico da nossa região”, sustenta. Em seu entender, a água é decisiva para o futuro do setor e para a capacidade de a região atrair e manter atividade económica.
O deputado apresenta estas prioridades como partes de uma estratégia mais ampla para travar a perda de população. “O Baixo Alentejo precisa de investimentos que permitam criar emprego, atrair empresas e fixar jovens e famílias. Precisamos de melhores acessibilidades, de respostas na saúde, de habitação e de condições para valorizar a agricultura e a produção agroalimentar”, defende, insistindo que tudo isto deve traduzir-se em compromissos financeiros e calendários de execução, e não em anúncios sucessivos.
No balanço final, a crítica é política e direta. Pedro do Carmo acusa a AD de ter adotado uma postura reivindicativa durante a campanha eleitoral, sem a mesma determinação depois de chegar ao poder. “A AD só fez voz grossa no distrito em período de campanha eleitoral. Assim que esta terminou, passou a não ter voz”, acusa o deputado.
Para o socialista, o Orçamento do Estado para 2027 não resolve os problemas estruturais da região e deixa por esclarecer o financiamento e os prazos de obras há muito reivindicadas. O PS manterá, garante, uma posição de fiscalização e exigência, apesar da abstenção. A mensagem ao Executivo é clara: o distrito de Beja precisa de obras, financiamento e calendários, e não apenas de promessas.