Os agricultores em protesto junto à fronteira de Vila Verde de Ficalho não vão desmobilizar, disse à Rádio Pax, esta manhã, João Pedro Pereira, um porta-voz do movimento.
Questionado quanto à previsão de duração do protesto, João Pedro Pereira é perentório: “Até termos resposta séria e acordo claro das nossas reivindicações”, garantindo que a desmobilização imediata está fora de questão.
De acordo com o porta-voz, nesta sexta-feira “estão a chegar” mais agricultores “das zonas que desmobilizaram ontem”.
João Pedro Pereira afirma que o “suposto acordo” anunciado, ontem, pela tutela, “foi bluff” e os agricultores sentem-se “enganados”.
O porta-voz considera que “o acordo foi feito à revelia sem consultar os agricultores e foi, basicamente, a repetição do que a ministra anunciou na véspera”.
“Há aqui questões mais abrangentes. Há o regresso das florestas ao ministério da Agricultura, há a recuperação das direções-regionais de Agricultura, há o discutir a programação do PEPAC [Plano Estratégico da Política Agrícola Comum] com os agricultores para tentarmos chegar a soluções mais adequadas para a nossa agricultura”, elencou João Pedro Pereira.
Recorde-se que a Estrada Nacional 260 (EN260) junto a Vila Verde de Ficalho, a alguns quilómetros da fronteira com Rosal de La Frontera, foi cortada, na madrugada de quinta-feira, pelos agricultores, que atravessaram tratores e máquinas agrícolas na via.
O protesto, que inicialmente contou com cerca de 100 tratores e máquinas agrícolas, subiu para cerca de 180 veículos com o passar das horas, de acordo com a organização. O número de agricultores, provenientes de concelhos como Serpa, Moura, Mértola, Barrancos ou Beja, também atingiu algumas centenas.
Na quarta-feira, o Governo avançou com um pacote de ajuda aos agricultores, destinado a mitigar o impacto provocado pela seca e a reforçar o Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), que não travou os protestos agendados para hoje, de Norte a Sul do país.
Rádio Pax/Lusa