A agricultura está a conseguir produzir com muito menos água, mas as alterações climáticas podem obrigar o setor a enfrentar um novo desafio. Em pouco mais de seis décadas, o consumo médio na rega terá caído de 16 mil para apenas três a quatro mil metros cúbicos por hectare. Ainda assim, até ao final do século, as necessidades poderão aumentar 27,5%.
Os números são avançados pelo presidente do Centro Operativo e de Tecnologia de Regadio, Gonçalo Morais Tristão, que destaca a transformação ocorrida no campo.
Em 1960, o consumo geral médio rondava os 16 mil metros cúbicos de água por hectare. Atualmente situa-se entre os três e os quatro mil.
Uma evolução que o responsável do COTR atribui à modernização dos sistemas de rega, ao investimento realizado pelas empresas agrícolas e, cada vez mais, à tecnologia.
Drones, imagens de satélite e sondas instaladas nos solos já ajudam os agricultores a perceber quando, onde e quanta água é realmente necessária.
Mas os ganhos alcançados podem não chegar para responder ao clima das próximas décadas.
Um estudo desenvolvido pela Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural em parceria com o COTR estima que, num cenário climático mais desfavorável e sem medidas adicionais, a agricultura poderá precisar de mais 27,5% de água para rega entre 2071 e 2100.
É por isso que Gonçalo Morais Tristão defende que a modernização não pode parar.
E há uma nova ferramenta a chegar ao campo: a inteligência artificial.
O presidente do COTR acredita que esta tecnologia poderá ajudar os agricultores a tomar decisões tão concretas como determinar se devem ou não regar perante as previsões meteorológicas e as necessidades das culturas.
Água, eficiência, alterações climáticas e inteligência artificial estarão precisamente no centro do XI Congresso Nacional de Rega e Drenagem, marcado para Beja, entre 30 de setembro e 2 de outubro, no auditório do NERBE/AEBAL.
Organizado pelo COTR, o encontro decorre sob o tema “Água para produzir o futuro: resiliência, eficiência e inteligência nos recursos hídricos” e vai também levar a debate a estratégia “Água que Une”.
A agricultura já conseguiu reduzir drasticamente a quantidade de água utilizada por hectare. O próximo desafio será continuar a produzir num futuro mais quente e potencialmente mais exigente em água — recorrendo a tecnologia cada vez mais avançada para fazer cada gota contar.