Uma casa parcialmente destruída, sinais evidentes de circulação no interior e pessoas que continuam a entrar e a sair de uma zona que está oficialmente interditada.
É este o cenário encontrado pela Rádio Pax na Rua Alexandre Herculano, em Beja, junto a um dos imóveis que esteve no centro da operação de evacuação realizada pela Câmara Municipal no passado mês de fevereiro.
A Rádio Pax deslocou-se ao local e constatou que permanece instalada sinalização da autarquia a interditar a área. Existem também grades de proteção, mas estas medidas parecem não estar a impedir o acesso à ruína.
Junto à parede que ruiu é claramente visível um trilho no terreno, marcado pela passagem frequente de pessoas. Durante a permanência da Rádio Pax no local foi possível observar movimentos de entrada e saída através dessa zona.
A derrocada de parte da parede acabou, inclusivamente, por criar um novo ponto de acesso ao imóvel. Onde anteriormente existia uma barreira física, encontra-se agora uma passagem que permite chegar ao interior da construção.
Os indícios observados no terreno apontam para a utilização do espaço, apesar do estado de degradação do edifício e da interdição existente.
A situação levanta particulares preocupações numa altura em que se aproxima o período de maior precipitação. A chuva e o vento podem aumentar a vulnerabilidade de estruturas já fragilizadas e, neste caso, a parte superior do imóvel apresenta sinais visíveis de degradação.
Perante este cenário, coloca-se também a questão da fiscalização. Se o espaço está interditado devido ao perigo existente, como continuam a verificar-se entradas e saídas no imóvel?
A situação ganha maior relevância quando se recua ao passado mês de fevereiro.
Nessa altura, a Câmara Municipal de Beja procedeu à evacuação preventiva de dois edifícios da Rua Alexandre Herculano, retirando do local um total de 34 residentes.
A autarquia justificou então a operação com aquilo que classificou como risco iminente de derrocada, associado a evidentes problemas de insalubridade e perigo para a saúde pública. O objetivo da intervenção foi, acima de tudo, evitar que a situação pudesse colocar vidas humanas em risco.
Meses depois, pelo menos um dos imóveis continua profundamente degradado e há sinais de que voltou a ser utilizado.
A Rádio Pax esteve no local e encontrou uma realidade difícil de ignorar: apesar das grades, da sinalização e da interdição, há pessoas a entrar e a sair de uma ruína.