Depois de cerca de 15 anos de espera, a requalificação da Escola Secundária de Serpa está mais perto de sair do papel.
O presidente da Câmara de Serpa, Francisco Picareta, confirmou, em entrevista à Rádio Pax, que assinou o termo de aceitação de um financiamento de cerca de 12 milhões de euros, destinado a um projeto cujo investimento global ronda os 14 milhões.
Para o autarca, este é o passo que transforma uma reivindicação com muitos anos numa solução concreta.
“Não é já uma questão de fé, é uma questão de convicção, de dados, de documentos assinados”, afirmou Francisco Picareta à Rádio Pax.
A satisfação tem também uma dimensão pessoal. O presidente da Câmara estudou naquele estabelecimento e admite encontrar atualmente estruturas e equipamentos que já existiam no seu tempo de aluno.
Uma realidade que ajuda a explicar por que razão a requalificação da Secundária foi colocada entre as prioridades da sua candidatura à presidência da autarquia.
Francisco Picareta considera a educação um dos pilares para o desenvolvimento do concelho e entende que as atuais condições da escola são incompatíveis com esse objetivo.
Frio durante o inverno, calor excessivo no verão, infiltrações e falta de conforto térmico são alguns dos problemas apontados.
Uma realidade que a Rádio Pax conhece bem.
Em janeiro de 2020, numa reportagem realizada neste estabelecimento de ensino, encontrámos infiltrações, recipientes utilizados para recolher a água da chuva e uma comunidade escolar obrigada a improvisar soluções para enfrentar as baixas temperaturas.
Segundo Francisco Picareta, chegaram a existir alunos que levavam mantas para a escola durante o inverno. Nos períodos de maior calor, as dificuldades invertiam-se e havia necessidade de recorrer a ventoinhas e manter janelas abertas para tentar suportar as temperaturas dentro das salas.
Para o presidente da Câmara, são condições que não permitem oferecer o ambiente necessário a um ensino de qualidade.
Mas a entrevista à Rádio Pax não ficou apenas pelo anúncio do financiamento.
Francisco Picareta deixou duras críticas à forma como este processo foi conduzido no passado e responsabilizou diretamente os anteriores executivos municipais da CDU pelos sucessivos adiamentos.
O presidente da Câmara considera que, durante demasiado tempo, existiu um braço de ferro entre o município e o Governo sobre quem deveria assumir a responsabilidade financeira pela intervenção.
Na opinião de Picareta, essa opção teve consequências para Serpa.
O autarca acusa os anteriores executivos de terem colocado questões ideológicas à frente dos interesses da população e recorda posições segundo as quais não caberia à Câmara assumir uma comparticipação de algumas centenas de milhares de euros para permitir concretizar o projeto.
Francisco Picareta diz estar “completamente afastado” dessa visão.
Para o presidente da Câmara, o município não tem de substituir outras entidades nas suas responsabilidades, mas deve estar disponível para encontrar soluções em conjunto quando está em causa o interesse da população.
E o preço da solução atual será substancialmente superior.
Dos cerca de 14 milhões de euros previstos para o projeto, aproximadamente 12 milhões serão assegurados pelo financiamento agora aceite. A Câmara terá de encontrar uma solução para uma comparticipação na ordem dos 2,1 milhões de euros.
Francisco Picareta admite que o município poderá ter de recorrer a financiamento bancário para garantir essa verba, um procedimento que terá também de cumprir os respetivos prazos e autorizações.
Quanto ao calendário da obra, ainda não existe uma data fechada para a entrada das máquinas.
O município terá agora de cumprir todos os procedimentos legais associados à contratação da empreitada, fiscalização e execução dos trabalhos.
Francisco Picareta aponta para um horizonte global entre dois e três anos até que todo o processo esteja concretizado.
A requalificação tem, contudo, outro objetivo: tornar a Secundária de Serpa novamente atrativa.
O presidente da Câmara revela que o concelho tem mais jovens em idade de frequentar o ensino secundário do que aqueles que atualmente estudam neste estabelecimento.
Para Francisco Picareta, esse dado demonstra que a escola perdeu capacidade de atração e que as condições físicas poderão ser um dos fatores que ajudam a explicar essa realidade.
O objetivo passa, portanto, por inverter a tendência, recuperar alunos e transformar a escola num elemento de atração para estudantes e famílias.
“É por aqui que passam os nossos filhos, é por aqui que formamos o futuro”, sublinha o autarca.
Francisco Picareta não esconde também que considera este processo uma das primeiras grandes conquistas do novo executivo.
Mais do que uma promessa eleitoral, admite que a situação da Escola Secundária esteve entre as razões que o motivaram pessoalmente a avançar para a candidatura à presidência da Câmara.
Depois de cerca de década e meia de avanços, recuos e discussões sobre responsabilidades, o cenário mudou.
Há financiamento aprovado, existe um termo de aceitação assinado e o município prepara agora os procedimentos para lançar a empreitada.
Para uma comunidade escolar que durante anos conviveu com chuva dentro dos edifícios, mantas no inverno e calor difícil de suportar no verão, os 12 milhões de euros representam muito mais do que financiamento.
Representam a possibilidade de fechar um capítulo com cerca de 15 anos e começar finalmente a construir uma nova Escola Secundária de Serpa.