A aldeia que desapareceu debaixo das águas de Alqueva está agora no centro de uma investigação europeia que pretende impedir que as suas memórias também desapareçam.
O Museu da Luz, no concelho de Mourão, foi escolhido como caso de estudo de um projeto científico financiado pela União Europeia, que procura desenvolver novas formas de preservar o património cultural através das tecnologias digitais.
A investigação vai estar em destaque esta segunda-feira, 26 de outubro, em Beja, durante uma conferência promovida pela EDIA, empresa responsável pelo empreendimento de Alqueva.
A iniciativa realiza-se no auditório da empresa, a partir das dez e meia da manhã, e reúne investigadores nacionais e internacionais.
O ponto de partida é uma das transformações mais marcantes da história recente do Alentejo.
Com a construção da barragem de Alqueva, a antiga Aldeia da Luz ficou submersa e os seus habitantes foram transferidos para uma nova povoação, construída a poucos quilómetros do local de origem.
O Museu da Luz nasceu precisamente para guardar objetos, testemunhos e recordações de uma comunidade que viu desaparecer o lugar onde viveram várias gerações.
Agora, o desafio é levar essa memória para o mundo digital.
O projeto pretende documentar não apenas os objetos existentes no museu, mas também as histórias pessoais, os conhecimentos e as tradições que lhes estão associados.
A investigação envolve diretamente os habitantes da aldeia, valorizando os seus testemunhos e a forma como recordam a vida antes da construção da barragem.
A conferência, intitulada «Património Cultural, Digitalização e Envolvimento das Comunidades: o Caso do Museu da Luz», vai debater a utilização de ferramentas digitais para preservar patrimónios ameaçados pelo desaparecimento ou pela transformação dos territórios.
Entre os participantes estão Rafael Eudave, investigador da Universidade Tecnológica de Delft, nos Países Baixos, e Tiago Miguel Ferreira, professor do Instituto Superior Técnico, da Universidade de Lisboa.
O programa inclui apresentações científicas, um workshop dedicado à documentação digital de bens patrimoniais e um momento de partilha de experiências com pessoas entrevistadas no âmbito do projeto.
A iniciativa procura demonstrar que a preservação do património não depende apenas da conservação de edifícios e objetos, mas também da capacidade de transmitir às gerações futuras as experiências de quem viveu a história.
A participação na conferência é gratuita, mas exige inscrição prévia, através do endereço eletrónico infomuseudaluz@edia.pt.
Com esta investigação, a história da antiga Aldeia da Luz ganha uma nova dimensão.
As casas desapareceram sob as águas de Alqueva, mas as memórias dos seus habitantes poderão encontrar nas tecnologias digitais uma forma de permanecer vivas para as próximas gerações.