Há pessoas que, à noite, em Beja, não têm para onde ir. Agora, o distrito vai ter uma resposta. A Associação ESTAR viu aprovada a candidatura do Projeto VIVER, que vai criar no concelho um alojamento de emergência para pessoas em situação de sem-abrigo.
A aprovação foi dada na quarta-feira, dia 21, pela Comissão Diretiva do Alentejo 2030. O investimento elegível é de mais de seiscentos e dez mil euros, dos quais cerca de quinhentos e dezanove mil são financiados pelo Fundo Social Europeu Plus. O projeto dura trinta e seis meses, de novembro deste ano a dezembro de 2029.
O ponto de partida é um problema grave. Segundo a Associação, o distrito de Beja está entre os territórios do país com maior incidência de pessoas em situação de sem-abrigo e, ao mesmo tempo, entre aqueles em que a resposta pública de alojamento de emergência é mais limitada. Os últimos dados nacionais, de dezembro de 2023, identificavam mais de mil e trezentas pessoas nesta situação no distrito.
O VIVER assenta em dois pilares. O primeiro são equipas de gestores de caso, que acompanham cada pessoa de perto, com planos individuais de intervenção. O segundo é a criação da REDE, a Residência de Emergência e Desenvolvimento, uma estrutura de acolhimento temporário com condições dignas de habitação, segurança e apoio técnico e social, enquanto se constroem os percursos de autonomia de cada beneficiário.
Para a presidente da Direção, Madalena Palma, é “uma boa notícia para o território”. Recorda que, durante anos, a Equipa de Rua da ESTAR acompanhou pessoas que “à noite não tinham para onde ir”. Agora, diz, será possível “fechar essa cadeia”: identificar, acompanhar e, quando necessário, acolher, “com dignidade”. Nas suas palavras, é “um passo que o distrito há muito pedia”.
A associação compromete-se com os parceiros da Rede Social de Beja a ser transparente, a articular os circuitos de acompanhamento e a prestar contas nas reuniões do Conselho Local de Ação Social e do Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem Abrigo. Nas próximas semanas, vai iniciar a contratualização da operação com o Alentejo 2030 e preparar as equipas que vão trabalhar no terreno.