A APROSERPA (Associação de Produtores do Concelho de Serpa) rejeita a ideia de que a pecuária extensiva seja, por si só, responsável pelo avanço da desertificação em Portugal. Em reação a uma notícia publicada pelo Público, a Associação de Agricultores da Margem Esquerda do Guadiana admite os riscos do sobrepastoreio, mas considera errado confundir excesso de animais com pastoreio extensivo.
A associação considera, aliás, que a notícia do Público pode transmitir à opinião pública uma perceção incompleta da realidade, sobretudo pela forma como a questão é apresentada e pela imagem utilizada para ilustrar o artigo.
Para a APROSERPA, a distinção é fundamental: sobrepastoreio não é sinónimo de pastoreio, nem de pecuária extensiva.
A associação defende que, quando corretamente gerido, o gado contribui para manter as pastagens, reciclar nutrientes, controlar a vegetação e reduzir a acumulação de combustível nos terrenos.
Ao mesmo tempo, alerta que o abandono das terras e a falta de pastoreio também podem agravar problemas como a degradação do território e o risco de incêndio.
A solução, sustenta a APROSERPA, passa por adequar o número de animais à capacidade das pastagens, apostar na rotação e no repouso dos terrenos e adaptar o maneio às condições climáticas.
A associação lembra ainda que a desertificação resulta de vários fatores, incluindo secas prolongadas, erosão, incêndios, alterações climáticas, perda de matéria orgânica e abandono rural.
A APROSERPA considera, por isso, que o debate não pode ser feito através de generalizações e desafia jornalistas, investigadores e decisores políticos a conhecerem no terreno as explorações da Margem Esquerda do Guadiana.
A mensagem dos agricultores é direta: “O problema não é o animal. É a gestão.” E deixam outra distinção: “Sobrepastoreio é excesso. Pastoreio sustentável é gestão.”