Opinião: Manuel Narra

“TENTAR COLHER O QUE NUNCA SE SEMEOU”

Em tempo de eleições autárquicas, a azáfama dos candidatos multiplica-se todos os dias, tentando alguns mostrarem trabalho que durante quatro anos nunca os preocupou.

Descobriram agora que a forma mais fácil de mostrar o que não fizeram, é rebatizar o que já estava feito, desenvolvendo assim um novo conceito da política de trazer por casa, ou seja, a criação do PROGRAMA “MUDAR A PLACA”.

A falta de capacidade de executar, até os projetos que já se encontram com os financiamentos garantidos pelos fundos comunitários, traduzem a realidade de que há gente que não está talhada para o desempenho de algumas funções, nomeadamente a função de Presidente de Câmara.

Assim, tentam colar a sua imagem à imagem de antigos políticos, pensando que assim os eleitores irão traçar algum paralelismo com as individualidades referidas. Faz-me isto lembrar as heranças politicas recebidas por alguns filhos de antigos políticos, onde pensam ter adquirido algum protagonismo na cena politica regional , só pelo facto de ser filho do politico  A ou B.

Numa sociedade moderna, onde se pretende que o primeiro fator de reconhecimento de alguém seja o mérito, o tal berço deixa de ter o peso que alguns ainda pensam que têm.

Nada de mais errado, pois passar uma vida inteira a ser reconhecido somente como o filho de… ou a filha de…., deve causar algum problema de afirmação de identidade a estas personagens, que mais cedo ou mais tarde dará mau resultado.

Espero sinceramente que esta veia modificadora da identidade das coisas, não os leve a pensar um dia em MUDAR AS PLACAS que normalmente são colocadas à entrada das cidades, vilas e aldeias deste País, para identificar o lugar onde estamos.

Corremos o risco de nos deitarmos no Alentejo e acordarmos no Algarve, ou noutro qualquer lugar apetecível para passar o Verão.

Siga a festa, porque para tristezas já basta a realidade do dia a dia.

Manuel Luís Narra

Ex Presidente do Município de Vidigueira