Vítor Silva: 2018

2018. Já estamos em 2018. Para trás ficou o Natal e a passagem de ano e o período em que se cruzaram infinitas mensagens e desejos de Boas Festas, umas sinceras e outras mais por obrigação, tudo isto potenciado pelos novos meios de comunicação electrónicos, que atiraram para o caixote do lixo das recordações os cartões e os postais de Boas Festas. Quem ganhou com isso foram os carteiros que nesta altura andavam mais carregados e atarefados que no resto do ano.
Esta coisa do Natal e do Ano Novo serem tão próximos também potencia, e de que maneira, uma orgia de comidas e bebidas, que mais parece uma cerimónia ritual em honra do deus Baco. E ninguém se lembra que um dos sete pecados mortais é a gula. Pelos vistos nem mesmo a Igreja se preocupa em nos lembrar disso, ocupada que está em tentar que nos recordemos que esta época é marcada pelo nascimento de um tal Jesus, que veio ao mundo para nos salvar. Já sabemos que esta é uma batalha perdida, pois que o rei destas festas é o Pai Natal.
Mas o pecado da gula acaba por ter as suas consequências. São as ressacas e principalmente aqueles quilitos a mais que nos tínhamos esforçado tanto por perder e que agora estão de volta. Vamos então começar com a penitência das saladas para expiar o pecado. Ou pelo menos é essa a intenção, que a memória das nossas faltas depressa se apaga.
Pela minha parte, pecador me confesso e penitente me proponho, pois que ao escrever esta crónica a cabeça ainda me pesa, os olhos ainda me enviam imagens turvas e as mãos ainda me tremem.